Desde a minha infância, ouvia recomendações para ficar longe de marginais e maconheiros, dando a entender a periculosidade deles. Em que pese os conselhos, na escola e nas brincadeiras de rua, os contatos com essa gente eram praticamente inevitáveis. Jogando bola ou empinando pipa nos campinhos, não era raro ver poucos adolescentes aglomerados numa parte do local e fumando algo que parecia cigarro. Não sabia eu o cheiro e nem como era o produto que consumiam.
Muito embora compreensível a orientação quanto aos marginais, à época, sinônimo de criminosos, difícil era entender o porquê da necessidade de manter distância dos ditos maconheiros. Eram, como se apresentavam, pessoas arrojadas e simpáticas, contudo, posteriormente, fatos ocorreram no bairro que deixavam claro a correlação das drogas com o crime, onde conhecidos dados ao uso da maconha foram mortos, vítimas das ações de criminosos de grupos rivais.
Hoje, passados mais de 30 anos, sempre que me questiono o porquê de não ter me tornado um maconheiro, eu me lembro que aos 12 anos passei a trabalhar na Central de Abastecimento de hortifruti, isso sem prejuízo dos meus estudos, do curso de idiomas e das artes marciais que já fazia. Em que pese tivesse o tempo ocioso tomado por aquelas atividades construtivas, penso que o que realmente determinou meu afastamento dos riscos das drogas foi estar empenhado justamente na fase crítica da adolescência, quando as amizades e curiosidades se sobressaiam.
Os tempos passaram e as drogas, já consolidadas como fontes inesgotáveis de lucro, foram potencializadas e espalharam-se por todo o território nacional. Nomes como cocaína, heroína, LSD e crack, essa nos anos 1990, passaram a ser mais mencionadas nas páginas policiais e os dependentes químicos, dentre eles os maconheiros, de forma correta, foram retirados da categoria dos marginais e inseridos no rol dos acometidos por doenças graves.