Neste aniversário de 465 anos de Mogi das Cruzes, celebrado nesta segunda-feira (1°), Valterli Martinez, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região (Sincomércio), destaca os desafios e conquistas do comércio local, enfatizando sua importância para o desenvolvimento e economia do município. Segundo ele, 60% a 70% da arrecadação da Prefeitura de Mogi atualmente vem do comércio varejista.

Hoje, há entre 7 e 8 mil comércios varejistas em Mogi — número que pode chegar a 10 mil se considerados os Microempreendedores Individuais (MEIs) — e aproximadamente 90 mil funcionários empregados. De acordo com o presidente do Sincomércio, os principais setores são supermercados, atacadistas, e lojas de roupas e calçados, além de óticas. Os segmentos que mais têm crescido na região são supermercados e os setores de alimentação e prestação de serviços. 

Tradição e desafios 

Para Martinez, a marca especial do comércio mogiano está na preservação do estilo tradicional sem deixar de investir na modernização. “Mogi ainda tem essa característica do comerciante que é o ‘barriga de balcão’, como a gente brinca. O dono está lá em frente, atendendo o seu público. Mogi tem esse diferencial, esse comércio tradicional, mas que está se modificando. Não perdendo sua característica, mas trazendo melhores condições de atendimento”, afirmou.

Na última década, segundo Martinez, o comércio em Mogi passou por grandes mudanças e desafios econômicos. Ele afirma que cerca de 450 pontos comerciais foram deixaram de ser alugados na área central da cidade entre 2015 e 2016, quando o país atravessava uma crise econômica. Até 2019, avalia que houve uma lenta recuperação, mas com a chegada da pandemia da Covid-19 em 2020, novas dificuldades surgiram e exigiram que os comerciantes se adaptassem às mudanças, como as compras pela internet em razão do isolamento social.

O presidente do Sincomércio destaca ainda a resiliência dos comerciantes locais, relembrando que, embora muitos comércios tenham fechado as portas durante a pandemia, também foi neste momento que muitas empresas venderam mais e outras nasceram. Segundo ele, os comerciantes que conseguiram superar as adversidades foram aqueles que buscaram alternativas para contornar a realidade incerta. 

“Os comerciantes têm que se qualificar dia a dia. O mercado muda diariamente, ele tem que ficar atento às novas soluções, aos novos desafios, procurando informações e pensar em ações para que ele possa reverter isso”, ressaltou Martinez, destacando a volta das compras presenciais. “Hoje, eles (clientes) também estão preferindo comprar presencialmente, retomando as vendas presenciais perdidas na pandemia. A compra online ficou muito artificial, eles querem sentir o produto”, explicou.

Diante desse cenário, Martinez destaca que é fundamental que o lojista, independentemente do segmento, aprenda a ser híbrido, atuando tanto de forma online quanto presencial, prezando sempre pela qualidade no atendimento e pela assistência aos clientes.

Sincomércio

O Sincomércio, em parceria com outras instituições e entidades, segundo ele, tem buscado entender quais são as dificuldades das empresas para oferecer capacitações e desenvolver ações voltadas às melhorias que podem ser adotadas pelos comerciantes no atendimento e na prestação de serviços.  

Apesar dos desafios, Martinez destaca as conquistas para o comércio mogiano, como a queda no número de empresas fechadas no período de seis meses a um ano após a abertura. Ele atribui a redução ao trabalho de orientação do Sincomércio sobre investimentos e em prol da redução de custos operacionais.

A entidade, de acordo com o presidente, também avança no diálogo com as Prefeituras de Mogi e região para cobrar ações que atraiam o consumidor ao comércio local como forma de impulsionar suas vendas. Martinez explica que comissões foram criadas para discutir o investimento no turismo e na cultura, o que, segundo ele, é crucial para o fortalecimento do setor tanto nos centros comerciais como de forma  descentralizado dos bairros.

Outro passo importante para o comércio da região, na avaliação de Martinez, foi a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), negociada entre o Sincomércio e os sindicatos dos trabalhadores. 

O presidente afirmou ainda que o propósito do Sincomércio é seguir trabalhando pela união do comércio com outros setores da cidade, como a indústria, serviços, turismo, cultura e esporte. “Juntando esses elos, você consegue montar uma cidade forte, boa de viver, com segurança e qualidade de vida. É Não só pensar no comércio em si, mas pensar num todo, porque o todo desenvolve o comércio”, pontuou. 

Trajetória

Nascido no bairro Ponte Grande, onde mora até hoje, Valterli Martinez começou a trabalhar no comércio aos 12 anos, no supermercado da família. Ele conta que sempre esteve envolvido nos negócios do pai no varejo de cereais e hortifruti. Foi em 2002 que se tornou diretor do Sincomércio, a convite de Airton Nogueira, fundador e presidente da entidade na época. Após o falecimento de Nogueira em 2016, Martinez assumiu a presidência. 

Em julho deste ano, a trajetória de Martinez ganhou um novo capítulo: ele se tornou presidente do Mogi das Cruzes Basquete, que agora está sob gestão da All Sports e conta com apoio da prefeitura. O presidente explicou que o objetivo das mudanças é recolocar o time no topo das tabelas, mas também investir nos trabalhos de reforço da base e promover o trabalho social na cidade por meio do esporte. 

Foto: Valterli Martinez, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região (Sincomércio) | Divulgação 

*Texto supervisionado pelo editor.