A elevação do número de eleitores com 60 anos ou mais, conforme reportagem publicada ontem pelo Grupo Mogi News, desperta a necessidade de reflexão sobre uma população em franco crescimento, que precisa de uma atenção especial. O fato não é novidade absoluta, afinal o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem revelado há anos, por meio dos últimos censos, o aumento na quantidade de habitantes na terceira idade. Há, inclusive, projeções de que o total de pessoas acima dos 60 anos supere o de jovens até os 20 anos num prazo de duas décadas.
Segundo a reportagem, com base em dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o número de eleitores idosos cresceu 23,3% em Mogi das Cruzes desde a última eleição, em 2016. Atualmente são 63.761 votantes com 60 anos ou mais ante 51.697 registrados há quatro anos. A participação no universo de eleitores também aumentou de 17,4% para 19,9%. No último pleito eram 296.944 pessoas habilitadas e neste domingo serão 319.826, o que representa uma alta de 7,7% de uma data para outra. No comparativo dos crescimentos é possível perceber o avanço do grupo idoso em relação ao total de eleitores.
A reflexão necessária está no centro da discussão sobre como os governos têm encarado e reagido a esta situação. O que as autoridades têm feito para melhorar a qualidade de vida dos idosos. As ações devem ficar muito além da instalação de academias ao ar livre e da reserva de espaço para estacionamento nas ruas. É preciso dar dignidade a esta população, com a preocupação de criar serviços específicos de saúde, por exemplo. O atendimento preferencial já é uma realidade, mas ainda há lentidão no efetivo trato dos idosos. Prova disso é a demora para agendamento de exames e consultas médicas nos postos públicos.
O período eleitoral é propício para avaliar o que cada candidato está planejando para este grupo. Se a tendência é o crescimento dessa população, como comprovam levantamentos do IBGE e do TRE, está na hora de abandonar o conforto de tratar as pessoas com mais de 60 anos como uma minoria, a quem basta alguns privilégios sociais. O mundo está mudando, o respeito também precisa evoluir.