A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou na manhã de ontem a retomada dos testes clínicos da Coronavac, vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. O estudo havia sido suspenso na segunda-feira por causa da ocorrência de um evento adverso grave em um dos voluntários. Segundo fontes da pesquisa, o evento foi a morte de um homem de 32 anos, com suicídio como causa provável, e que não teria nenhuma relação com o imunizante.
A Anvisa afirmou que decidiu autorizar a continuidade dos testes após receber novos documentos e informações anteontem. De acordo com o órgão federal, compõem esse conjunto de dados a informação sobre a causa do evento adverso, um relatório do comitê independente internacional de monitoramento de segurança e o boletim de ocorrência relacionado à provável motivação do evento adverso.
A agência afirma que não tinha nenhuma dessas informações quando decidiu pela suspensão e que, diante da gravidade do caso e da "precariedade dos dados enviados pelo patrocinador naquele momento", julgou que a interrupção seria a medida mais adequada
A Anvisa recebeu o parecer do comitê internacional anteontem. "Após avaliar os novos dados apresentados pelo patrocinador (Butantan) depois da suspensão do estudo, a Anvisa entende que tem subsídios suficientes para permitir a retomada da vacinação e segue acompanhando a investigação do desfecho do caso para que seja definida a possível relação de causalidade entre o evento adverso grave inesperado e a vacina", afirmou a agência, em nota. No texto em que anuncia a retomada dos estudos, a Anvisa voltou a afirmar que a suspensão foi uma medida de "caráter exclusivamente técnico", que considerou os dados disponíveis na ocasião e os preceitos científicos e legais. A suspensão provocou um mal-estar entre a agência federal e o governo de São Paulo, comandado por João Doria (PSDB), adversário político do presidente Jair Bolsonaro. 
São Paulo
O secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchteyn, afirmou que a decisão já era esperada pelo governo de São Paulo e pelo Instituto Butantan tendo em vista que as evidências mostravam que o evento adverso não tem relação com a vacina.
A vacinação de voluntários, segundo ele, deve ser retomada hoje. Os testes da Coronavac estão na fase 3, a última antes da aprovação, e deverão incluir 13 mil voluntários em todo o país. Até agora, cerca de 10 mil já tomaram ao menos uma dose do imunizante.