Pela primeira vez nos últimos 20 anos, o próximo prefeito de Mogi das Cruzes será escolhido em segundo turno. Marcus Melo (PSDB) e Caio Cunha (Pode) ficaram com 42,3% e 28,3% dos votos válidos respectivamente e decidirão quem assumirá o posto mais alto do Executivo mogiano no próximo dia 29.
A porcentagem confirmada por volta da zero hora de hoje, representa 81.555 votos para o tucano e 54.591 para seu adversário.
A última vez que o pleito foi decidido pelos mogianos em segundo turno foi em 2000, entre Junji Abe (PSDB) - que viria a ser eleito posteriormente - e seu oponente Francisco Moacir Bezerra (PMDB).
Completam a lista dos candidatos que receberam mais votos: Rodrigo Valverde (PT), com 17,4% dos votos válidos (33.509); Felipe Lintz (PRTB), com 8,8% (16.971); Miguel Bombeiro (Pros), com 1,2% (2.319); Michael Della Torre (PTC), com 1,1% (2.058); e Fred Costa (PDT), com 1,0% (1.850).
O primeiro resultado oficial divulgado pelo TSE veio por volta das 22 horas. Com 32,8% das urnas apuradas, Melo já não possuía a vantagem necessária para a reeleição e Cunha aparecia com votação expressiva. Naquele momento, o atual prefeito tinha 26.688 votos (41,5%), enquanto Cunha surpreendia com 18.660 (29,0%).
Em entrevista à reportagem após a divulgação do resultado, Melo fez questão de ressaltar que foi vencedor do primeiro turno e agradeceu a todos que votaram nele.
"Natural que esperávamos vencer no primeiro turno, mas temos que respeitar a vontade das pessoas", disse o prefeito. "Vamos continuar trabalhando para mostrar nosso projeto e que o Caio não tem experiência de gestão na administração pública. Uma pessoa que mente bastante, que vende ilusão, que vive nas redes sociais longe do olho no olho que a gente propõe", completou Melo sobre seu adversário.
Questionado se ele considera importante o apoio de figuras que até o momento não foram contundentes em demonstrar apoio, como o deputado federal Marco Bertaiolli (PSD), o prefeito Melo disse que "o apoio de todas as pessoas que acreditam no projeto é bem-vindo".
Em tom mais ameno, o representante do Podemos se mostrou feliz com o resultado, e prometeu continuar fazendo sua campanha para as pessoas de Mogi.
"Acho que o Melo é um retrato do continuísmo. Teve toda oportunidade de conduzir a cidade e fazer dela um lugar melhor para os mogianos. Mas não aproveitou os quatro anos e agora vamos mudar a história de Mogi", prometeu Cunha.
O candidato disse ainda que o fato de tantas pessoas votarem em outros concorrentes que não o atual prefeito "representa o pedido de mudanças na cidade".
Em reportagem do início de outubro, o sociólogo e professor Afonso Pola já avaliava que em eleições com quantidade elevada de candidatos, como esta, as chances do resultado sair apenas no segundo turno ficavam maiores. Para o especialista, neste cenário ocorre uma "divisão de votos tidos como certos para políticos à frente nas intenções do eleitor".
Desde o pleito de 2004 não havia tantos candidatos à Prefeitura. Na oportunidade, também sete concorrentes estavam no pleito e o vencedor foi Junji Abe, à época no PSDB.