Apesar do número de casos e mortes em decorrência da Covid-19 estar em patamares baixos desde o início deste mês, a preocupação com uma possível segunda onda da pandemia do novo coronavírus é real.
Com a intensificação das campanhas de rua nas últimas semanas e a iminência do dia da votação, aumentou a preocupação com o aparecimento de novos casos e, como consequência, novas mortes.
Por enquanto, não é isso que os números revelam. Em Mogi das Cruzes, por exemplo, a semana entre os dias 2 e 8 de novembro apresentou 162 casos positivos, o menor índice de novas confirmações de pacientes com coronavírus desde junho, quando, na semana de 8 a 14, foram registrados 158 casos.
Sobre o desleixo de certos grupos da sociedade com a manutenção das medidas sanitárias contra a disseminação da Covid-19, o secretário do Estado de Saúde, Jean Gorinchteyn, disse recentemente que as pessoas que obedeceram o pedido para ficar em casa são as que estão saindo atualmente e se sentindo muito confortáveis. "De quem você vê maior circulação hoje? Das classes A e B. Quem pôde, ficou em casa, e agora está saindo, indo a academias, restaurantes, mas também estão apertando mão, abraçando, não usam máscara", lamentou.
A possibilidade da campanha eleitoral potencializar a pandemia no Brasil - que, por ora, não veio à tona em Mogi das Cruzes - já ficou evidente em ao menos cinco Estados brasileiros. Secretários de Saúde do Amapá, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Paraíba relacionaram os novos casos com, dentre outros motivos, os atos políticos, como visitas a bairros e convenções partidárias.
Se a quantidade de novos casos apresenta queda, a instabilidade dos números de mortos em decorrência do novo coronavírus chama atenção. Entre os dias 2 e 8 de novembro, 11 óbitos foram registrados na cidade, mais da metade da semana anterior, quando o coronavírus fez cinco vítimas. Nas semanas anteriores a instabilidade é ainda maior. Foram registradas oito mortes entre 19 e 25 de outubro e nos sete dias anteriores (entre 12 e 18 de outubro), 17 óbitos.
Ao anunciar a suspensão das aulas em 2020, o secretário de Saúde de Mogi das Cruzes, Henrique Naufel, já demonstrava sua preocupação com a possível segunda onda de contaminações e mortes pelo novo coronavírus.
O titular da Pasta municipal citou países europeus que tiveram de decretar lockdown devido ao avanço da pandemia e disse que os efeitos sentidos no Velho Continente demoram, em média, dois meses para chegar ao Brasil. "Até agora, durante a pandemia, vimos que toda trajetória do vírus na Europa tem reflexo no Brasil, poucos meses depois. Seria pouco prudente da nossa parte não nos prevenir", explicou Naufel, temeroso com a segunda onda da pandemia no Brasil. (F.A.)