"Visitamos quatro cidades do Estado e vamos fechar com chave de ouro em Mogi das Cruzes. Não tenho dúvida de que será um evento lindo e marcante para nós e para a cidade". Essas são as palavras do regente-adjunto da Orquestra Sinfônica de Heliópolis (OSH), Edilson Venturelli, que se apresenta no Theatro Vasques, nesta quarta-feira. O concerto está marcado para as 20 horas, com entrada gratuita. A apresentação faz parte do roteiro da Série Itinerante da orquestra, que já visitou quatro cidades paulistas. No repertório, estão previstas músicas conhecidas do público, como O Guarany e Bolero de Ravel.
Assim como ocorre em Mogi das Cruzes, que possui uma forte cultura sinfônica destinada às crianças e jovens, a Sinfônica de Heliópolis é reconhecida internacionalmente por sua qualidade artística, cujo regente titular é o maestro Isaac Karabtchevsky. O projeto de formação de músicos em Heliópolis nasceu há 23 anos, quando o maestro Silvio Baccarelli resolveu propor um projeto musical para os jovens da comunidade, depois que um incêndio destruiu boa parte de Heliópolis. Para Venturelli, a música tem o poder de transformar as pessoas. "Traçando um paralelo entre os projetos de Mogi e nossa missão em Heliópolis, podemos concluir que a transformação dos alunos é, de fato, efetiva. Nós vemos bons cidadãos sendo formados. E o ensino musical, por fim, se torna secundário", enfatizou.
Hoje, mais de mil crianças e jovens são atendidas anualmente pelo programa e seus integrantes já tiveram a oportunidade de se apresentar em grandes eventos, como Rock In Rio, turnê de Andrea Bocelli, Teleton, Criança Esperança, Caldeirão do Huck, turnê pela Europa (2011) e em vários outros eventos notórios. Eles já tocaram com Os Paralamas do Sucesso, Ivete Sangalo, Sandy, Skank, Frejat, Pitty e muitos outros nomes da música. Venturelli acredita que o mais importante é agradar ao público. "No fim, concerto especial é aquele capaz de levantar a plateia, tocando música clássica ou popular", destacou.
"Sentimos que muita gente imagina que música de concerto é aquela que você precisa ir todo arrumado. Mas, na verdade, nós queremos que a pessoa esteja confortável, nos apreciando. Independentemente do traje, nós queremos que esteja lá", disse Venturelli. Apesar da música clássica ter se popularizado nos últimos anos, o regente-adjunto afirmou que é necessário ter uma difusão maior dessa cultura para que se torne mais comum na sociedade.
Todos sabem que a música é muito benéfica na formação do indivíduo. Além de contribuir com o intelecto, também auxilia no desenvolvimento da disciplina e no senso de coletividade. O regente afirmou que são perceptíveis as melhorias que a música clássica levou para Heliópolis. "O ensino musical carrega noções de respeito, responsabilidade e amor. Além de democratizar o acesso à cultura para aqueles que são postos às margens de uma sociedade desigual", salientou Venturelli.
Temporada
Nesta quarta-feira, em Mogi das Cruzes, a Orquestra Sinfônica de Heliópolis encerra a Série Itinerante que teve como parceiro o Programa de Ação Cultural (Proac), da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.
No dia 1º de dezembro, a Sinfônica de Heliópolis irá se apresentar no Theatro Municipal de São Paulo, na série mensal da Temporada 2019, além da turnê que está fazendo pelo país, por meio do projeto Unilever Sons do Brasil, na qual se apresentará em Belo Horizonte, Recife e Rio de Janeiro. Os concertos dessa turnê são gratuitos e contam com a participação de músicos convidados, como Diogo Nogueira, Frejat e Elba Ramalho.
*Texto supervisionado pelo editor.