Para a nova mostra, foram escolhidas oito obras já existentes para ilustrar o tema. A que abre a exposição, intitulada Cloud Piano (2014), do americano David Bowen, faz uma leitura das nuvens que sobrevoam o prédio, a partir de um vídeo ao vivo, e a transforma em notas musicais num piano. "É uma obra poética, porque o resultado é uma interpretação da máquina, do algoritmo, do que se está vendo no céu, fazendo uma tradução para o som", analisa o curador.
No mesmo andar, estão utras quatro obras significativas. Duas do turco Memo Akten, Learning To See: Gloomy Sunday (2017) e Deep Meditations: A Brief History of Almost Everything in 60 Minutes (2018), se complementam e usam os algoritmos para transformar imagens virtuais. Já Borgy&Bes (2018), do austríaco Thomas Feuerstein, traz duas lâmpadas cirúrgicas da década de 1950 com alto falantes; elas leem e comentam posts publicados em redes sociais. Por fim, na sala, está ainda uma obra clássica, Agent Ruby (1999-2002), da americana Lynn Hershman Leeson, que apresenta uma robô "chatterbot", programada para responder ao público.
No andar de baixo, mais três obras internacionais sobre o tema. ?TON/2 (2017), da dupla suíça Cod.Act (André e Michel Décosterd), é uma instalação em que uma estrutura plástica, a partir de um estímulo musical, emula um animal, se aproximando do movimento de uma cobra. Já Quantum Garden (2018), do britânico Robin Baumgarten, usa estudos quânticos para uma instalação interativa, em que o visitante participa de um jogo de luzes. Por fim, Co(ai)xistence (2017), da francesa Justine Emard, é uma videoinstalação em que o dançarino japonês Mirai Moriyama interage com uma robô, que aprende a expressão corporal do artista e tenta reproduzi-la.
No último andar, foi desenvolvida uma instalação comissionada para a mostra no Itaú Cultural. A artista Rejane Cantoni, que atuou desde o início como pesquisadora na exposição, desenvolveu, com a ajuda de alguns cientistas e da própria equipe da instituição, a obra Quantum (2019), uma instalação que funciona como uma espécie de simulador de comportamentos. "O que apresentar do Brasil? Desenvolvemos a ideai por aqui, como um laboratório. O objetivo é fazer o público entrar em um universo invisível, ao qual não tenha acesso, embora sejamos feitos dele", explica Cantoni. (E.C.)