O Teatro da Neura comemora os seus 15 anos de história com a volta do espetáculo "O Menino Gigante" ou "Os Dez Fevereiros", peça que compõe a Teatrologia dos Sacros Dias e vem sendo apresentada em várias cidades do interior do Estado de São Paulo, além da realização da oficina de "Realismo Fantástico", linguagem que vem sendo estudada há nove anos pelo grupo.
O próximo espaço a receber essas duas ações é o Teatro Municipal de Poá, que, neste domingo, será palco da oficina direcionada a um público maior de 14 anos de idade e que será realizada das 9 às 14 horas. E, mais tarde, às 19 horas, ocorrerá a apresentação do espetáculo, cujos ingressos são gratuitos e devem ser retirados com uma hora de antecedência. O teatro fica localizado na avenida Antônio Massa, 331, no centro. Essa circulação está sendo promovida com o apoio do ProAC, da Secretaria da Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo.
O espetáculo narra uma história paralela, que antecede o segundo volume de "Sábado de Aleluia". Por meio da trajetória da heroína Bárbara, o espectador viaja com a protagonista em sua missão fantástica. Bárbara é a única a nascer sozinha em uma família onde todos nascem em par. Além disso, engravida, de um marido morto, de um filho homem, numa família onde todas nascem mulheres. Para completar, o menino nasce gigante, e sua missão dada por Deus é que ela faça com que a cabeça da criança chegue ao céu antes do fim de dez fevereiros, caso contrário, Deus tomará de volta a criança.
Desde o início do espetáculo, o público acompanha todas as estações de sua missão, vivenciando as diversas formas de se ter fé. Maneiras essas trazidas da mitologia pessoal de cada integrante do elenco ao longo de todo o processo criativo. A dramaturgia nasce baseada nas manifestações populares de fé da festa de Iemanjá em Salvador, capital da Bahia. O diretor e dramaturgo, Antônio Nicodemo, participou do ritual popular em 2015.
Nessa segunda montagem da trilogia, há a relação da mulher com o divino numa linha horizontal, em que Deus é homem e também erra. Porém, mesmo com o erro divino, Bárbara tem a sua fé posta à prova, principalmente, a fé que possui em si mesma.