A partir da próxima semana, os amantes da literatura têm um encontro marcado no Centro Cultural de Mogi das Cruzes. O Café Literário, grupo que reúne os leitores da região, retoma a sua programação no dia 19 de janeiro, dando continuidade aos debates sobre obras clássicas e contemporâneas apreciadas pela público. São encontros que ampliam o repertório cultural dos participantes.
O grupo começou informalmente, entre amigos que apreciavam boas leituras, e, atualmente, ele é aberto a todos os interessados em conhecer as atividades e dividir suas interpretações sobre as publicações debatidas. Os encontros são mensais, e ocorrem no terceiro sábado de cada mês (salvo algumas exceções, em caso de feriados) no período das 15 às 18 horas. Para a primeira reunião, a obra escolhida foi "O Dilema do Porco Espinho", de Leandro Karnal. Após a leitura prévia, os participantes vão compartilhar a história, as mensagens transmitidas e suas reflexões sobre a representatividade do livro que aborda a solidão, um dos sentimentos que permeia o ser humano.
Ao longo do ano, 12 obras serão debatidas, e todas foram escolhidas após um sorteio das sugestões enviadas pelos próprios integrantes (veja quadro). Em 2019, autores estrangeiros fazem parte da seleção, dentre eles o africano Chinua Achebe, a americana Pam Muñoz Ryan, a chilena Isabel Allende, o alemão Patrick Süskind, o russo Fiódor Dostoiévski, o britânico Desmond Morris, além de brasileiros, como o reconhecido Leandro Karnal. Segundo a idealizadora e coordenadora do projeto, a pedagoga e historiadora Kelen Chacon, este ano reunirá obras de diferentes nacionalidades. "Temos autores da América do Norte, América do Sul, Europa, Ásia e África. Posso dizer que conseguimos contemplar quase todos os continentes", comemora.
Diversos são os gêneros abordados, desde os contemporâneos aos clássicos literários. São as temáticas que norteiam o público, que, segundo a coordenadora, é marcado pela sua diversidade. "Temos, em média, 45 pessoas no grupo, e como os encontros são livres, as pessoas participam de acordo com a temática da obra, o autor escolhido e, também, conforme a sua disponibilidade para a leitura e o encontro. Isso tudo interfere na quantidade do nosso público, já recebemos de oito a até 38 pessoas num sábado. Depende da divulgação e do quanto a obra é conhecida", destaca.
Essa variedade temática aliada à diversidade do público presente contribui para a riqueza do Café Literário. A cada encontro, todos saem envoltos de diferentes interpretações e uma ampla reflexão acerca do que foi lido. "Temos sociólogos, advogados, psicólogos, arquitetos, historiadores, economistas, médicos. Participam, também, três estudantes do Ensino Médio. O público variado e de diferentes faixas etárias contribui para uma vasta interpretação. E sempre aparece um novo participante", conta Kelen, que complementa que, como a divulgação é feita pelas redes sociais, a cada mês, tem uma surpresa. "A nossa página é bem visitada, e a interação é constante. Temos a participação de pessoas não só da região, como também de outros estados. Se não podem estar presentes nos encontros, enviam seus comentários. Temos, por exemplo, pessoas de Matão, Fortaleza e São Paulo", complementa.
Projetos
Além dos encontros mensais, alguns projetos estão previstos para complementar as atividades do Café Literário. Um deles é o "Jovens Leitores", que consiste em unir o cinema à literatura com a escolha de obras que receberam uma versão cinematográfica. A ideia é analisar as duas abordagens. Outra proposta é a organização de encontros para debater a literatura regional, para ampliar a divulgação e valorização dos autores do Alto Tietê.