O projeto "Literatura e Paisagismo - Revitalizando a Quebrada", que desde o ano passado contribui com a revolução urbana da periferia ao colorir muros com versos e grafite, cresceu, consolidou seu reconhecimento com a premiação do Programa de Ação Cultural (ProAC) e agora vai virar festival. A iniciativa pioneira na região idealizada pelo escritor Ademiro Alves, o Sacolinha, será realizada entre os dias 14 e 16 de dezembro, no Jardim Revista, com o apoio da Associação Cultural Literatura do Brasil (ACLB) e da Secretaria de Cultura de Suzano.
A ação irá revitalizar dez pontos do bairro e contará com a participação de dez grafiteiros sob a curadoria de Vander Che. Paralelamente será realizado o plantio de árvores e dez saraus com o envolvimento de outros artistas urbanos em uma espécie de mini trio elétrico cultural. As intervenções serão abertas ao público, e ocorrerão das 9 às 18 horas.
Sacolinha explica que o primeiro dia do festival (14 de dezembro) será destinado exclusivamente à limpeza do local, com a revitalização dos muros e de seus arredores para receber o plantio das mudas. Os saraus serão realizados no sábado e no domingo (15 e 16 de dezembro), cada um com duração de cerca de duas horas.
Muito além de contribuir com a revitalização da periferia levando cor, vida e poesia, o projeto Literatura e Paisagismo também traz uma crítica social. Isso porque uma das inspirações do projeto baseia-se em iniciativas semelhantes de revitalização existentes na área central da cidade, sempre próximas a grandes empreendimentos, e que nunca chegaram à periferia.
A outra inspiração é o personagem Sansão, do livro "A Revolução dos Bichos", de George Orwell. Na obra, Sansão é um cavalo forte que cumpre todas as ordens sem reclamar. Sua história é uma crítica aos patrões que enriquecem com o suor e a exploração de seus subordinados.  "Penso que não há outra forma de melhorar o bairro onde vivo e onde crescem minhas filhas do que investindo nele mesmo. Sempre me inspirei numa frase dos Racionais MC que diz 'Não mude da periferia, mude a periferia'. Então, se ações como esta não chegam até nós, em vez de adotar uma postura passiva como a do cavalo Sansão, vamos então arregaçar as mangas e fazer", alfineta Sacolinha.