Hamilton Peixoto lança na próxima semana o seu primeiro livro. A publicação, intitulada "Carijó - O Melhor Palhaço de Todo o Mundo", tem como personagem principal seu avô João Peixoto, o palhaço Carijó. O autor descreve histórias que cresceu ouvindo do familiar, acrescentando uma dose de imaginação, fantasia e aventura.
A obra foi escrita como forma de manter suas referências do passado, aquelas que resultam em sua formação como pessoa, e ainda responder-lhe à seguinte pergunta: se ainda houvesse o Circo de sua família, qual seria seu espaço nessa história? O lançamento será no sábado, dia 10 de novembro, das 17 às 20 horas, na Livraria Estância dos Reis (L.E.R.), que fica localizada na rua Carmela Dutra, 295, em Mogi das Cruzes.
Após passar por circos famosos no começo da década de 1910, Francisco Peixoto montou sua Trupe. Rodou por diversas cidades do Estado de São Paulo, principalmente as localizadas no Vale do Paraíba. A vida do artista circense nunca foi fácil, naquela época pior ainda, além da falta de recursos e de segurança, ainda sofriam grande preconceito por boa parte da elite, pois eram rotulados como pessoas que não gostavam de trabalhos com responsabilidades. Muitos os confundiam com ciganos e também os rotulavam como vagabundos.
Após várias andanças pelas cidades, o grupo voltou para Caçapava, sua cidade natal, para buscar a menina Petronilha, a quem jurou o seu amor. Francisco, além da sua Trupe, fazia apresentações em alguns circos e até aquele momento a participação de Petronilha era apenas como figurinista do grupo. Era ela quem confeccionava as roupas dos artistas para o espetáculo e também os reparos necessários.
Em 1917, veio a primeira filha, Eliza, e, com a chegada de outros filhos, João, em 1920, Conceição Apparecida em 1923 e Rosalina em 1926, logo Francisco montou o seu próprio circo, chamado "Irmãos Peixoto".
A sua esposa virou Madame Petronilha "Ilusionista e Parafugista", e ainda mais tarde veio mais uma filha, a Dorothy. Começaram a chegar os netos e Francisco sentiu o peso e a responsabilidade de prosseguir pela estrada com a família. Era a hora de se estabelecer em um lugar fixo e um novo emprego, pois o artista circense só era reconhecido dentro do picadeiro. O encanto e toda a magia do circo chegou ao fim para os artistas da família Peixoto em 1944.
Francisco foi trabalhar como vendedor ambulante de frutas e faleceu em 1948, Madame Petronilha cuidou dos netos e bisnetos e faleceu em 1975. João Peixoto, o palhaço Carijó, já adulto, virou caminhoneiro e faleceu em 1989 com 69 anos.
O que sobrou do circo "Irmãos Peixoto" não foram apenas lembranças. Pelo contrário, muito mais que isto, sobrou o orgulho de serem descendentes deles e o exemplo de pessoas que viveram felizes, porque souberam trabalhar e amar: trabalhar pelo que se ama e amar aquilo em que se trabalha.