Uma modalidade que ainda não está no cronograma paralímpico, mas que já transformou a vida de muitas pessoas, é o futebol de amputados. Graças a ela, o diagnóstico de câncer nos ossos do zagueiro Wesley Magalhães, 20 anos, não foi impedimento para que ele desse prosseguimento ao sonho de ser jogador de futebol. Ele participou do projeto social Futebol de Amputados, criado em 2009, em Mogi das Cruzes, pelo artilheiro do Corinthians/Mogi e capitão da seleção brasileira, Rogério Almeida, o Rogerinho R9, de 37 anos. 
Wesley foi diagnosticado com osteossarcoma aos 18 anos. "Eu estava jogando pelo EC Eledy, em Promissão, interior de São Paulo, quando machuquei meu joelho", relembrou. "Fui para o hospital e os médicos me diagnosticaram com câncer", completou. O zagueiro passou por cirurgia e quimioterapia. Ele teve que amputar a perna para que o câncer não se espalhasse pelo corpo. "Eu sempre fui apaixonado pelo esporte e, como todo adolescente, sonhava em ser jogador profissional", descreveu.
O camisa 13 desconfiava que não poderia retornar aos gramados. No entanto, após um ano do diagnóstico, uma publicação do Futebol de Amputados em uma rede social fez Magalhães descobrir que ainda poderia realizar seu sonho. "Logo em seguida entrei em contato com o Rogerinho R9 para saber mais sobre o projeto", contou.
O artilheiro R9, que nasceu sem a perna esquerda com diagnóstico de malformação congênita, tem 12 anos de carreira na modalidade e expressou sua vontade em formar um time de amputados na sua cidade natal, no mesmo ano em que foi convocado para representar o Brasil, na Argentina, onde foi campeão da Copa América. "Minha vontade era dar a oportunidade para outras pessoas nas mesmas condições que a minha de poder jogar futebol", comentou R9, idealizador do projeto que recruta jovens amputados para integrar o time profissional Corinthians/Mogi, que conta com 33 jogadores e cinco pessoas na comissão.
O primeiro jogo de Wesley pelo Corinthians/Mogi, foi no campeonato Paulista contra o São Paulo. "Marquei o primeiro gol do jogo, que também foi meu primeiro", relembra. Com apenas seis meses jogando Wesley foi convocado para a seleção brasileira. "Foi tudo muito rápido. Acredito que consegui essa conquista pelo fato de eu já jogar bola antes da amputação", justificou. "Eu só tinha que aprender a manusear as muletas". (N.F.)