O São Paulo não conquista o Campeonato Paulista desde 2005, seu maior jejum de títulos estaduais na história. Mas nem por isso a edição atual será tratada de forma diferente. Na verdade, tudo neste primeiro semestre no clube gira em torno de outra competição: a Copa Libertadores, que os comandados do técnico André Jardine disputarão a partir da segunda fase preliminar. Até lá, o Paulistão servirá de laboratório.
No dia 6 de fevereiro, o São Paulo visita o Talleres, na Argentina, em seu primeiro duelo eliminatório rumo à fase de grupos do torneio continental. A partida de volta está marcada para o dia 13, no estádio do Morumbi, na capital paulista. Se passar, o time brasileiro terá outro mata-mata pela frente. Ou seja, pelo menos até o início de março, quando o Paulistão já estará em sua nona rodada, as atenções tricolores estarão divididas - obviamente maiores para a Libertadores.
"O recado que posso passar para o nosso torcedor é que a partir do próximo jogo a gente vai estar pensando igualzinho a eles: a gente precisa vencer todos os jogos. A gente vai entrar com energia total a partir do primeiro jogo do Paulistão", prometeu André Jardine, logo após a participação na Florida Cup, nos Estados Unidos.
Fato é que há um processo de transição em curso no elenco em relação à temporada passada. Muitas caras novas chegaram, sendo ao menos três com status de titular: o goleiro Tiago Volpi, o meia Hernanes e o atacante Pablo. Além de implicar em adaptação de quem chega, isso significa deixar gente importante em 2018 de fora, como aconteceu com Nenê e Diego Souza, reservas durante as duas partidas amistosas que o São Paulo disputou.
Até ajustar essa nova equipe, André Jardine precisará de dois artigos raros no Morumbi nos últimos anos: tempo e paciência da torcida. Desde a saída de Muricy Ramalho do cargo, em abril de 2015, nenhum treinador chegou a 50 jogos no comando do time. O acúmulo de fracassos, inclusive no estadual, tem feito o torcedor rifar também eventuais promessas que custam a vingar.
Ainda há um outro componente que torna este início de caminhada no Paulistão mais árduo. A estreia, neste sábado, às 19h30, contra o Mirassol, além das três partidas seguintes como mandante, deverão ser realizadas fora do estádio do Morumbi, que passa por reformas. O Pacaembu será a casa temporária tricolor.
Em sua apresentação, há uma semana, Hernanes afirmou que chegava com sentimento de indignação por ver o clube do coração sem levantar uma taça há tanto tempo - a última foi a Copa Sul-Americana de 2012.