O jogo foi em Madri, mas o sofrimento e celebração foram absolutos em Buenos Aires. O River Plate se consagrou campeão da Copa Libertadores após vencer o clássico contra o rival Boca Juniors no domingo, por 3 a 1, na prorrogação, no Santiago Bernabéu, em uma final que durou quase um mês e incluiu um adiamento por temporal e depois sua suspensão e mudança à capital espanhola por casos de violência, um fato inédito na história do torneio sul-americano.
Apesar do desgosto provocado nos torcedores das equipes pela disputa da partida decisiva pelo título na Europa, cada um deles a viveu em Buenos Aires com a mesma intensidade, sofrimento, emoção e loucura como se a mesma tivesse sido jogada no campo rival.
Milhares de torcedores do River Plate - estimados 60 mil - festejaram no Obelisco na noite de domingo a quarta Libertadores conquistada pelo clube. Durante a madrugada, houve incidentes de violência, com torcedores jogando pedras e outros objetos contra policiais, o que provocou a detenção de pelo menos 20 pessoas, ainda que 2 mil agentes tivessem sido destacados para fazer a segurança em Buenos Aires.
Os torcedores ainda exaltaram o técnico Marcelo Gallardo, um dos maiores ídolos da história do River Plate. E também houve insultos ao presidente da Argentina, Mauricio Macri, que comandou o Boca durante mais de uma década, antes de se lançar na vida política. "Parabéns ao River e a todos os seus torcedores pela vitória neste jogo histórico. Nós do Boca sabemos que o futebol sempre permite a revanche", escreveu Macri em seu perfil no Twitter.
Outras centenas de torcedores gritavam "dá-lhe campeão, dá-lhe campeão" em frente ao Monumental de Núñez, onde deveria ter sido disputada a final, mas a Conmebol a retirou de lá como punição ao River após o ataque de um grupo de torcedores ao ônibus que levava os jogadores do Boca Juniors para a disputa da finalíssima, inicialmente marcada para 24 de novembro. (E.C.)