Eliane Lima Maciel, de 44 anos, ou simplesmente cabo Eliane, é lotada no Comando de Policiamento de Área Metropolitano Doze (CPA-M/12), sediado em Mogi das Cruzes, e é a única policial militar da cidade que irá representar o município e o país no World Police Games - USIP (International Police Sports Union) ou Jogos Mundiais da Polícia pela União Esportiva da Polícia Internacional.
A policial feminina embarcou na última terça-feira para Abu Dhabi - capital e segunda maior cidade dos Emirados Árabes Unidos -, para lutar na modalidade jiu-jítsu nesta quinta-feira, dia 9.
A PM, nascida em Pernambuco, mas moradora de Mogi das Cruzes desde que tinha apenas 40 dias de vida, diz que será a primeira vez que participará de uma competição no exterior. "Um capitão de São Paulo estava querendo montar uma equipe de PMs brasileiros, masculinos e femininos, para participar desse campeonato, que tem várias modalidades, e será só entre as polícias do mundo. Terá jiu-jítsu, tiro, judô e natação e do Brasil vão vários policiais, sendo que no jiu-jítsu feminino sou só eu de Mogi, e duas outras PMs de Barueri e Goiânia. Eu soube do campeonato porque uma amiga, que trabalha no Choque, lembrou de mim e me convidou", destaca.
A PM Eliane, que trabalha hoje no setor administrativo do CPA-M/12, está na corporação há 23 anos, sendo que em Mogi desde 2001. Ela também já trabalhou no extinto Copom (Central de Operações da Polícia Militar) da cidade. 
A policial pratica jiu-jítsu desde 2007, é faixa preta e, ao se inscrever para participar, intensificou os treinos e engordou alguns quilos, pois vai lutar na categoria peso médio (acima de 70 quilos). O retorno ao Brasil será no dia 11 e, por enquanto, ela prefere não saber quem será a sua adversária. "Só sei que não será de Dubai, pois as mulheres não praticam jiu-jítsu por lá", afirma.
Eliane, que é formada em Educação Física, é mãe, avó e consegue conciliar as tarefas de dona de casa com o trabalho na PM e o esporte (ela também dá aulas na modalidade em um clube da cidade). A policial pretende, por meio da sua participação, mostrar que qualquer mulher pode ingressar na modalidade, desmistificando a imagem do jiu-jítsu. "Apesar de ter aumentado na região o número de mulheres que praticam, sinto que ainda há certa relutância, por parte das mulheres e dos homens, em relação a esse esporte. E eu quero incentivar mais mulheres a fazerem as aulas", adianta.
A PM também está esperançosa em trazer uma medalha para casa. "Já participei de muitos campeonatos no Brasil, mas, fora, nunca imaginei. Estou muito feliz por essa oportunidade e, se eu consigo, qualquer mulher pode conseguir. Então, faço um convite à mulherada para que treinem", diz ela, que é uma apaixonada pelo jiu-jítsu.
Mais informações sobre os Jogos Mundiais realizados entre as polícias e os eventos podem ser conferidas no portal http://www.cbepb.org.br/.