A Secretaria Municipal de Poá desenvolveu uma proposta diferenciada para promover a inclusão em sala de aula. Para os profissionais da rede de ensino, a educação inclusiva depende de um trabalho conjunto entre todos que fazem parte do processo educativo: alunos, familiares, professores dos ensinos regular e complementar, gestores, além da parceria com a equipe de saúde. O grupo criou o Projeto Colaborativo, inspirado na Declaração de Incheon, apresentada no Fórum Mundial da Educação 2015, realizado na Coreia do Sul, cujo debate traçou estratégias para propagar uma educação para todos no período de 2015 a 2030.
O projeto foi lançado neste ano e está em fase de desenvolvimento nas escolas municipais, e os resultados estão mostrando que a integração entre todos é o melhor caminho para o aprendizado dos educandos. Segundo a chefe técnica do Núcleo de Apoio Pedagógico Especializado (NAPE), Quézia Castro, trata-se de um trabalho articulado, realizado de forma multidisciplinar e, tal como o nome, colaborativa. "A estratégia educacional realiza o acompanhamento dentro do turno regular dos alunos público-alvo da educação especial, realizado pelo professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE) no contraturno ou no ensino colaborativo ou pelo professor itinerante. O propósito é promover a articulação com profissionais de todas as áreas do conhecimento em todos os tempos e espaços escolares", explica.
Além dos professores do ensino regular, as unidades recebem o apoio de uma educadora especialista, que mantém contato assíduo com os que estão diretamente em sala de aula. Juntos, eles acompanham a evolução do aluno especial e elaboram metodologias que auxiliem na aquisição dos conhecimentos que estão sendo trabalhados. Quando necessário, esse profissional, também, acompanha as aulas, e, em alguns casos, envia outros especialistas, como cuidadores e intérpretes de Libras. O diferencial da proposta é a interação entre todos, os encontros entre a equipe são frequentes, para que, de fato, toda a ação pedagógica seja integrada.
A educadora especialista Darci Yurico Goto Honma atua no Atendimento Educacional Especializado (AEE) e participou de todo o processo de implantação do projeto. Ela explica que a perspectiva inclusiva promove o convívio no ambiente escolar, a garantia de acesso e permanência na escola, a aprendizagem e a interação com as diferenças humanas. Desta forma, a proposta tem como objetivo flexibilizar o aprendizado, recriar estratégias pedagógicas, motivar e contagiar o aluno especial. Tem como princípio promover o respeito às diferenças, e destacar que todos aprendem e trocam conhecimentos. "Este projeto trouxe um ganho às escolas, pois, em seu primeiro ano, vemos que os resultados são significativos. A evolução dos alunos nos motiva cada vez mais, e nos estimula a dar continuidade às ações. Vejo que inclusão não depende apenas da escola, mas de toda a sociedade. Por isso, voltamos o nosso trabalho não só com os alunos, educadores e gestores, mas também com as famílias e toda a comunidade escolar. É desafiador, mas gratificante, quando os pais compartilham a evolução de seus filhos, e percebemos a integração geral dos alunos", destaca.
A rede de ensino atende os alunos especiais desde 2016, e, a partir deste ano, passou a integrar o Projeto Colaborativo. Atualmente, possui 316 alunos especiais dentro das escolas regulares, e conta com uma equipe formada por 25 professores especialistas em educação inclusiva nas salas de AEE, no ensino colaborativo ou itinerância, 17 professores atuantes como professores auxiliares de aprendizagens e 48 profissionais de apoio escolar.