O clima instável tem trazido desafios crescentes aos produtores rurais da região, comprometendo safras e impactando a economia local. A avaliação é do engenheiro agrônomo Renato Abdo, secretário de Agricultura e Segurança Alimentar de Mogi das Cruzes. Segundo ele, as altas temperaturas, seguidas por chuvas intensas, trazem prejuízos aos agricultores, que lutam pelo controle de qualidade de hortaliças folhosas, fruticultura e floricultura, principais produções da região. 

“Temos nossas questões climáticas aqui no Alto Tietê, principalmente em Mogi, que são muito características por causa da questão geográfica que estamos localizados, entre duas serras. Então, temos um clima um pouco diferenciado que nos permite ter uma diversidade muito grande de produtos agrícolas. Só que com as mudanças climáticas, principalmente com o aquecimento, esse microclima regional tem mudado também, e essas mudanças nos trazem muitos problemas. Falamos que, às vezes, acaba fazendo as quatro estações no mesmo dia e isso complica muito o sistema de manejo produtivo”, pontuou o engenheiro.  

Segundo o secretário, produções em campo aberto, ou seja, sem ambiente protegido, são as mais afetadas: “Mesmo no ambiente protegido temos problemas, mas no campo aberto é ainda mais intenso. Quando chove, esquenta, você tem um prejuízo direto na lavoura, pois a planta não consegue se recuperar de uma alta temperatura com umidade. Então, ela começa a entrar em estresse e a qualidade desse produto cai muito, o ciclo metabólico fica alterando. Você não consegue conduzir a lavoura como há 10 anos, e isso traz muito prejuízo no que tange a qualidade como também a disponibilidade de volume dos produtos”. 

Altas temperaturas 

Com as altas temperaturas que estão atingindo o país, o engenheiro explica que as chuvas intensas geram problemas no manejo operacional da lavoura. “Essa intensidade de chuva tem duas grandes consequências. Uma é a questão das inundações, em que acabamos perdendo as produções e há queda da qualidade. Além disso, temos o aumento da umidade e da temperatura, o que torna um ambiente muito propício à disseminação de doenças, principalmente as fúngicas. Então, as chuvas aumentam o nível de controle de doenças no campo, o que também reduz a qualidade dos produtos”, destacou o secretário. 

A temperatura alta, segundo Renato, também cria um ambiente muito propício à disseminação de pragas: "Os insetos conseguem se reproduzir com maior velocidade e isso aumenta em incidência de pragas na lavoura. Conseguimos controlar um pouco a temperatura com as irrigações, mas não é suficiente para manter a qualidade do produto”, completou. 

Ele explica que há maneiras de amenizar essas mudanças climáticas, mas que podem gerar problemas na técnica de produção e também mercadológicos. “O agricultor acaba utilizando produtos que chamamos de ‘produtos antiestresse’, como os ácidos, por exemplo, para tentar diminuir o estresse da planta, para ela conseguir ter o seu metabolismo equilibrado e se desenvolver dentro de um parâmetro esperado. Mas, isso também causa a perda da qualidade dos produtos e, em muitos casos, a perda do produto. Isso vai inferir diretamente na questão do preço, porque é a oferta e demanda. Quanto mais produto menor preço, quanto menos produto maior preço”, esclarece. 

Outono

Para o engenheiro agrônomo, com as produções da cidade focadas nas hortaliças folhosas, maçarias, fruticultura e flores, as perspectivas são boas para a nova estação, que começou na semana passada. “O outono, esperamos que com clima mais estável, é esperança do produtor de ser bom mercadologicamente. Ainda verificamos as oscilações térmicas, e a presença das chuvas, mas a questão mesmo é mais no mercado. Esperamos que no outono tenhamos produto suficiente com um preço bom para poder passar o inverno bem”, finalizou.