A denúncia de corrupção contra seis vereadores na Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, apresentada na última sexta-feira pelo Ministério Público (MP), não tem prazo para ser analisada pela Justiça. Por se tratar de réus em cargos públicos, as defesas serão notificadas para se manifestar no prazo de 15 dias. Apenas após este procedimento legal, o juiz decidirá se acatará ou não a denúncia do MP.
Por enquanto estão mantidas todas as prisões preventivas.
No último dia 4, os parlamentares Carlos Evaristo da Silva (PSB), Diego de Amorim Martins (MDB), Francisco Moacir Bezerra (PSB), Jean Lopes (PL) e Mauro Araújo (MDB) foram presos preventivamente apontados pelo Ministério Público como integrantes de um grupo criminoso que orquestrava um esquema de corrupção na Câmara, incluindo contratos com a Secretaria Municipal de Saúde de Mogi das Cruzes e o Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae). Além dos cinco parlamentares, o vereador Antonio Lino (PSD) também teve prisão preventiva decretada, mas não foi localizado até o momento e segue foragido. Apesar de ter confirmado à reportagem na semana passada que iria se apresentar à Justiça "em breve", até o fechamento desta edição, a situação continua a mesma.
Com exceção de Lino e de Chico Bezerra (este último em prisão domiciliar devido a problemas de saúde), todos parlamentares foram transferidos para a Penitenciária II, em Tremembé.
Também foram presos Carlos César Claudino de Araújo (irmão de Mauro Araújo), Willian Casanova e Joel Leonel Zeferino, empresário do ramo de construção civil. Quem também segue foragido da Justiça é o empresário Pablo Nogueira, filho do vereador Chico Bezerra. Um dia depois da operação, André Alvim, assessor parlamentar do vereador Diego Martins, também foi preso. A empresária Carla Salvino Bento, apontada como participante do esquema, teve o pedido de prisão domiciliar aceito pela Justiça por, segundo a defesa, possuir dois filhos dependentes dela.
A denúncia que será apresentada hoje à Justiça evidencia um complexo esquema de corrupção envolvendo parlamentares, assessores e empresários. As empresas investigadas - a WA, do vereador Araújo; a MLC de seu irmão; e a Casanova Mix, do ramo de materiais de construção - possuem contratos com a administração pública e repassariam verbas às empresas ligadas ao vereador Mauro Araújo, que faria a distribuição do dinheiro aos demais parlamentares. "Eles eram beneficiados, sem dúvida, para a aprovação de leis", disse a promotoria.
Ainda segundo a promotoria, em depoimento, os vereadores confirmaram que receberam dinheiro do parlamentar Mauro Araújo, mas o montante se tratava de empréstimos. Eles não confessaram que o recebimento da verba era uma troca por apoio político.
A defesa dos vereadores e dos empresários afirmam confiar na Justiça e que provarão suas inocências.