Os desafios diários impostos pela pandemia do coronavírus (Covid-19) estão testando os limites da população. Um dos maiores obstáculos é justamente sair de casa utilizando os transportes públicos do Alto Tietê, já que o vírus tem uma fácil proliferação nestes ambientes. No entanto, muitas pessoas ainda precisam usar trens e ônibus para ir ao trabalho, e o uso destes transportes se torna obrigatório.
Mesmo com todas as precauções das concessionaras, empresas e prefeituras em relação ao vírus, como autorizar a entrada apenas de pessoas com máscaras, limpeza regular em todas as frotas de ônibus, trens e metrôs e a conscientização, o risco ainda aparece e amedronta a população.
Nos transportes intermunicipais, viabilizados pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), que ligam Mogi a Suzano, a estagiária Karla Silva Gomes, de 26 anos, que trabalha em Suzano, disse que o movimento de pessoas não está tão alto como era antes da pandemia. No entanto, mesmo com baixo fluxo de pessoas, ela explicou que o medo de contrair a doença ainda existe. "Eu estou trabalhando presencial apenas uma vez por semana e, no dia que eu preciso sair de casa, aquele medo e preocupação vem à mente porque o vírus é invisível e muito perigoso"
Nos trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), o estudante Matheus Almeida de Freitas, 26, acaba utilizando o sistema por falta de alternativa, já que toda semana ele precisa utilizar a Linha 11-Coral para ir à capital e comprar materiais de saúde para um familiar. "Só estou saindo de casa em extrema urgência, só que toda semana eu preciso ir para São Paulo e acabo pegando o trem em que milhares de pessoas passam por dia. Um risco enorme de pegar o vírus, mas fazer o quê não dá para deixar".
Para a empregada doméstica Ana Lia de Andrade, 50, que mora em Mogi, a preocupação em pegar o vírus durante o trajeto do trabalho é inevitável, já que todos os dias a mogiana precisa pegar dois ônibus para chegar até o local onde trabalha. "Todo dia eu estou pegando os dois ônibus lotados e por causa disso, a preocupação com o vírus só aumenta. Não tem como saber se o cara que está do meu lado está ou não com os sintomas. É difícil".
A dona de casa mogiana, Eliene Alves Aracy, 63, precisa sair de casa pelo menos três vezes por semana para ir à farmácia, mercado e também na unidade de saúde, como já era de rotina antes mesmo do início pandemia. Após a situação do vírus, Eliene, que se enquadra na população de risco, não conseguiu alguém para auxiliar nas tarefas diárias e precisa enfrentar o transporte público. "A minha rotina para sair de casa é colocar a máscara, o álcool em gel na bolsa e pedir a Deus para que não aconteça nada".
Análise
Na questão da lotação dos veículos em Mogi, a Secretaria Municipal de Transportes, explicou que vem realizando o monitoramento constante da utilização do sistema de transporte coletivo e serão feitas novas análises nas linhas para a definição de intervenções.
Anteontem, em um levantamento feito pela pasta, 40.455 passageiros foram transportados em todo o sistema, representando um volume 71,6% menor que no início do acompanhamento, em 9 de março, quando 142.603 passageiros eram transportados
*Texto supervisionado pelo editor.