De um lado, o governo do Estado de São Paulo, personificado na imagem do secretário de Estado da Educação, Rossieli Soares, que explica as diversas medidas que foram - e estão - sendo implementadas na rede pública estadual, visando acompanhar de forma mais próxima a vida acadêmica e os conflitos que ocorrem nas salas de aula, do outro, professores e representantes que afirmam que tais iniciativas são meramente superficiais, não resolvendo o problema estrutural da "sucateada" rede pública de Educação.
O titular da Pasta informou que o Estado reviu uma série de procedimentos, principalmente após a tragédia da Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, há um ano, quando dois ex-alunos entraram na unidade e fizeram sete vítimas. Dentre estas medidas destacam-se o programa Inova, com novas disciplinas para os estudantes optarem quais caminhos desejam trilhar. Outra, mesclando tecnologia e aprendizado, é o projeto Conviva, procedimento para que as escolas pensem em estratégias, com o auxílio do Estado, de combate ao bullying e promoção da cultura de paz.
Professores são críticos à essas medidas, alegando falta de estrutura para execução dos programas. Considerando muito recente para tecer críticas mais incisivas, o professor da matéria Eletiva da Escola Estadual Dr. Deodato Wertheirmer, em Mogi das Cruzes, Gustavo Rodrigues, disse que a falta de estrutura e materiais exigem que os professores sejam os mais interessados neste projeto, e que ouve dos alunos que o projeto Inova está sendo diferente do que eles imaginavam. "Já podemos pontuar que os professores tem que se virar com o que tem em mãos, tem que ir atrás de tudo, desde papéis, folhas de sulfite e almaço. Fico com um pé atrás, o projeto foi apresentado como inovação, mas até agora, ainda, não está sendo assim", opinou. 
O governo também tenta colocar a contratação de novos profissionais como um dos investimentos realizados para acompanhar a relação de alunos entre si, com os professores e a sociedade de forma geral. "Ano passado chamamos 1,5 mil agentes de organização escolar concursados e também trouxemos mais 2 mil temporários; um aumento de 3,5 mil profissionais", informou o secretário.
Fora da realidade
Essa não é a realidade sentida. Há 19 anos o professor Samuel Moreira Machado, 37 anos, dedica sua vida à rede de ensino, principalmente na escola Dr. Roberto Feijó, no centro de Guararema. A unidade é tida como uma das principais do município, devido sua localização e capacidade física. Entretanto, diversas situações de conflito ocorrem frequentemente no local. "O Feijó tem 1,5 mil alunos e cinco inspetores, essa é nossa realidade", disse o professor. "Mais pessoas treinadas ajudariam a solucionar diversos problemas de um público (alunos) que a gente sabe que 80% tem problemas familiares", completou.
Na visão do professor, ainda falta investimento. A presença de um profissional especializado na resolução de conflitos, como o Professor Mediador Escolar e Comunitário (Pmec). "Hoje em dia é raro as escolas ter um Pmec, a minha mesmo não tem. Quem desempenha essa função é o vice-diretor", contou.
O professor de Educação Física da Escola Estadual Prof. Camilo Faustino de Melo, em Mogi, Everaldo Lima de Andrade, também compartilha deste pensamento. Em sua visão, a falta de profissionais capacitados na mediação de problemas é um grave defeito do sistema educacional. "Em relação aos inspetores, temos 31 salas de aula e apenas três inspetores, tudo isso influencia na qualidade do serviço prestado e na falta de acompanhamento dos alunos", confirmou.