O Sindicato dos Transportadores Autônomos de Mogi das Cruzes e Região (Sinditac/Mogi) informou que há a possibilidade de que o grupo regional acompanhe a orientação da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) de paralisação total dos caminhoneiros, marcada para hoje, em todo o país.
A informação foi confirmada pelo presidente do sindicato da região, Eduardo Matos Oliveira Galvão, explicando que as rodovias Mogi-Dutra (SP-88), Ayrton Senna (SP-70) e Presidente Dutra (BR-116) são os principais alvos da paralisação em caso de confirmação do movimento. Inicialmente, a recomendação dos representantes nacionais é que as rodovias não sejam fechadas totalmente, decisão que o sindicato vai acatar.
A manifestação em nível nacional já estava marcada com antecedência, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) julgaria três ações que contestavam constitucionalidade da política de tabelamento de frete mínimo rodoviário. A votação na Suprema Corte foi adiada a pedido do ministro Luiz Fux, mas o chamado para o protesto já havia sido disparado e os organizadores do protesto decidiram por manter a manifestação. Uma audiência de conciliação foi marcada para o dia 10 de março.
Os motoristas protestam por discordarem de alguns pontos específicos sobre a atuação da categoria, como o alto índice do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do diesel, que responde pela maior parte dos custos da categoria, além da política de tabelamento de frete, amplamente criticada pelos caminhoneiros.
"O governo está empurrando com a barriga, nossa categoria não aguenta mais. Vamos pegar as principais rodovias e, de forma pacífica, colocar nossos caminhões nelas", disse o presidente do Sinditac, Galvão. Há a hipótese ainda de que, caso o grupo decida aderir ao movimento nacional, os caminhoneiros deixem seus veículos em casa e interfiram apenas na distribuição de mercadorias, possibilidade justificada pelo possível prejuízo que pode ser causado aos veículos. "Pode ser que a gente nem tire os caminhões da garagem, porque sempre tem um quebra quebra e se algo acontecer com os caminhões, o prejuízo vai para os caminhoneiros, pois somos autônomos", explicou Galvão.
Outras paralisações da categoria já ocorreram no Brasil. A de maior destaque aconteceu na última segunda-feira no porto de Santos, o maior do país, quando motoristas fecharam parcialmente as vias de escoamento de carga por 24 horas. Na ocasião, o presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale da Ribeira (Sindicam), Alexsandro Viviani, conhecido como Italiano, foi detido pela PM, ainda sem confirmação do motivo. O fato, de acordo com Galvão, uniu a categoria e deu mais força ao movimento agendado para hoje.