Informações contidas em documentos oficiais do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) apontam que a Brazcubas Educação passava por dificuldades financeiras na época de sua venda para a Cruzeiro do Sul Educacional, as quais colocavam a manutenção de suas atividades sob ameaça, caso a negociação financeira não fosse realizada em curto prazo.
O Cade, vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, é o órgão responsável por orientar, fiscalizar, prevenir e apurar abusos do poder econômico, a fim de comprovar que não haverá possibilidades de monopolização de mercado, ou seja, práticas nocivas à livre concorrência.
Essa foi a justificativa, segundo o Cade, que a instituição de ensino mogiana se valeu para a aprovação do conselho. Por parte da Cruzeiro do Sul, a operação de compra significava uma oportunidade de avanços na oferta do ensino superior, indo ao encontro da expectativa de continuidade de crescimento do setor no país, especialmente no que tange aos cursos a distância.
O objetivo da análise do Cade é avaliar se, após a operação, as duas unidades de ensino terão capacidade de interferir negativamente em condições de mercado, como preços, oferta de bens e serviços, qualidade, dentre outras, ou se o mercado oferece condições necessárias e suficientes para que outras instituições, novas ou já existentes, possam exercer de poder de mercado.
Após análise, ficou evidente para o conselho que a probabilidade de exercício de poder de mercado pela Cruzeiro do Sul e Brazcubas, como resultado da operação, é baixa, "principalmente por serem mercados que não atingem um número expressivo de consumidores e porque apresentaram facilidades para entrada e saída de players com capacidade de concorrer com um player do porte da Cruzeiro do Sul", afirmou o documento que aprovou a transação, sem restrições, em novembro do ano passado.
A Brazcubas disse que qualquer informação relativa ao assunto será mantida em sigilo por questões contratuais. A Cruzeiro do Sul não respondeu até o fechamento desta edição. (F.A.)