Os quatorze integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato divulgaram nota ontem declarando "amplo e irrestrito" apoio ao procurador Deltan Dallagnol, alvo de advertência do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) por críticas feitas ao Supremo Tribunal Federal (STF) em entrevista de rádio.
A força-tarefa afirma que discorda "respeitosamente" da decisão do "Conselhão do MP" e defende "a transparência, a comunicação social e o livre debate público de todos os atos de autoridades"
"Buscando a melhoria do sistema como um todo, a crítica de atos de autoridade pública, em matéria de interesse público, está no centro da liberdade de expressão, a qual existe para proteger justamente o direito à crítica, e não elogios", afirmam os procuradores. "O exercício do direito de livremente expor ideia é fundamental para a construção de uma sociedade ciente de seus problemas e engajada na sua solução". Deltan Dallagnol foi punido pelo Conselho Nacional do MP, órgão responsável por fiscalizar a conduta de promotores e procuradores, devido a uma entrevista de rádio na qual afirmou que três ministros do STF formam "uma panelinha" e passam para a sociedade uma mensagem de "leniência com a corrupção".
Apesar de ser a primeira vez em que é punido, a advertência funciona como uma punição branda.
Se Deltan for punido novamente com advertência em outros 23 processos em tramitação no "Conselhão". Para o advogado Francisco Rezek, um dos defensores de Deltan, a juventude do procurador o levou a utilizar uma linguagem imprópria para se referir a integrantes do Supremo. (E.C)