Nas quase duas décadas atuando diretamente em casos complexos, há dois deles que aconteceram em Itaquaquecetuba que mais marcaram a vida do delegado Eduardo Boigues. Quando esteve à frente do Setor de Homicídios de Itaquá, por exemplo, destacou que em 2001, quando a Secretaria de Estado da Segurança (SSP) começou a computar as estatísticas criminais mensalmente, foram registrados 209 assassinatos no município naquele ano. Já em dezembro de 2016, houve uma redução de casos, fechando o ano com cerca de 40 homicídios.
"Era uma atuação muito pesada e mostrando o trabalho para uma população que pouco se confia na polícia. Dessa forma, as pessoas passam a confirmar e testemunhar contra casos que aconteceram próximo à elas", disse.
O primeiro caso que marcou a carreira do delegado foi o conhecido como "serial killer de Itaquaquecetuba". Um homem, conhecido como Ronis, matou oito pessoas e tentou matar outras duas em um período de apenas dois meses. "Ele era um psicopata, sempre estava com a mesma roupa e com uma bicicleta azul, conseguimos efetuar a prisão e ele foi condenado em vários processos. Depois de ser declarado como psicopata, ficou internado no manicômio judiciário e hoje ele está morto porque cometeu suicídio", contou Boigues.
Já o segundo caso, é o conhecido como "Buffet do Max", no qual, um homem conhecido como Max forjou a própria morte para conseguir resgatar um seguro de vida no valor de R$ 400 mil. "Quando começamos a investigação, o Max não sabia que não há crime perfeito. Quando levamos a família para identificar o corpo eles reconheceram os tênis como sendo do Max, mas o corpo tinha uma tatuagem e os irmãos falaram que o Max não tinha tatuagem", lembrou. A partir daí, foi iniciada uma investigação e os agentes chegaram à conclusão de que Max matou uma pessoa, colocou fogo no buffet e fugiu para o Nordeste com os R$ 400 mil de indenização do seguro. "Foi uma investigação muito pesada, depois de dois anos de meio conseguimos prender ele assim que pisou em São Paulo", concluiu o delegado. (L.P.)