As alterações na legislação para facilitar a implantação de hidrômetros em áreas de produção rural devem ser publicadas até final deste mês pelo Governo do Estado, de acordo com informação divulgada na semana passada pelo Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat). As novas regras propostas não agradaram os produtores rurais de Mogi das Cruzes, já que, segundo eles, o custo para a produção é alto e a implantação do equipamento é considerada inviável.
O hidrômetro é utilizado para medir o volume da água consumido, auxiliando a entender as perdas e a distribuição do recurso natural, e o fato dos produtores não terem o equipamento impossibilita a emissão da outorga, ou seja, a autorização para a captação de água. Dessa forma, os agricultores podem ser autuados, sendo impedidos de captar o recurso hídrico e até mesmo de realizar financiamentos.
No distrito de Jundiapeba, uma das preocupações da agricultora Neusa Aguilar da Silva, de 51 anos, é manter a produção normalmente, bem como pagar os funcionários, o que para ela já é um custo elevado. A implantação de um hidrômetro seria um motivo para "fechar a chácara" "Nós já gastamos com caixas, com embalagem, pagamos funcionários, diesel, caminhão, e como vamos colocar um hidrômetro? Não temos nem rio aqui, puxamos água da terra", explicou.
A mesma opinião é compartilhada pelo produtor rural José Osmar, 60, que também reside no distrito de Jundiapeba. Para regar as hortaliças, ele precisou colocar um poço semi-artesiano na chácara, já que não tem nenhum rio ou lago por perto.
De qualquer forma, ele se preocupa com os custos para a colocação de um hidrômetro, já que o equipamento fica ligado 24 horas por dia. "Vai ser muito complicado. Eu não sei nem o valor, como vai funcionar esse equipamento. O trabalho na lavoura é algo muito difícil, sempre está em baixa e com esses custos a situação piora", disse o agricultor.
Sindicato
Por conta da grave crise hídrica registrada em 2014, o governo iniciou uma série de medidas em relação ao uso da água para a irrigação. O presidente do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, Gildo Takeo Saito, destacou que a publicação da nova portaria deixa um clima de esperança para que realmente as novas regras facilitem a instalação do equipamento, que atualmente pode ter um custo de até R$ 7,5 mil.
"Ainda não temos como comentar sobre a nova portaria, pois não foi publicada, mas estamos esperançosos de que venha um modelo mais simples para ser instalado. Antes eles queriam que o equipamento fosse eletromagnético e que transmitisse as informações simultaneamente, mas como vamos fazer isso se no sítio dos produtores muitas vezes não tem internet?", rebateu Saito.