Depois de 30 anos em Poá, o Itaú Unibanco afirmou ontem estar deixando o município após fazer um acordo com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Vereadores de São Paulo. Segundo o banco, as atividades da unidade já foram transferidas para São Paulo. A ação deve causar uma perda de 40% do orçamento anual da cidade, cerca de
R$ 157 milhões, com o fim do recolhimento do Imposto Sobre Serviço (ISS) em razão das atividades do banco.
Segundo o Itaú, as operações da empresa em Poá sempre estiveram devidamente sediadas na cidade com uma estrutura, espaço físico e tecnologia compatíveis com as atividades realizadas, negando a afirmação do presidente da CPI de São Paulo, o vereador Ricardo Nunes (MDB), em que citava a unidade de Poá como "insuficiente para execução das operações do porte do banco".
Questionado se poderia ajudar o município, mesmo com a saída das operações de cartões e leasing, o Itaú informou que seguirá apoiando a cidade e que está discutindo ações que poderão ser feitas para não desamparar Poá. Entretanto, esse auxílio dependerá de um acordo firmado entre o banco e a CPI de São Paulo.
Na semana passada o Itaú já havia informado Elias El Ghossain, proprietário do prédio onde estava instalada a unidade, que até o final do mês a sede administrativa, responsável pelo setor de leasing e cartões, sairia do município para retornar à capital.
Ghossain havia afirmado que recebeu o documento da empresa dizendo que eles fariam uma vistoria no imóvel e que saíram do local até o final deste mês. Após ter recebido o documento, o proprietário teria passado a informação para o prefeito poaense
Desde maio de 2019, o Banco Itaú já teria fechado um acordo com a CPI da Sonegação Tributária, da Câmara de Vereadores de São Paulo, para transferir as operações de leasing para capital, porém, até ontem, o banco não havia informado a sua posição sobre o assunto.
Nesta época, a Câmara de Poá também criou uma comissão de acompanhamento sobre o possível fechamento da sede administrativa do Banco Itaú. Mas a comissão não realizou nenhuma reunião. O parlamentar e presidente da comissão, Lázaro Borges (Pros), havia afirmado que teria tido problemas pessoais e que não teria conseguido resolver os detalhes da comissão.
Fica Itaú
Durante esta semana uma manifestação por parte dos moradores de Poá, que estavam pedindo que o banco ficasse na cidade foi realizada. O ato, batizado de "Fica Itaú", contou com 2 mil pessoas, entre elas o prefeito e diversos vereadores e membros do Executivo, além da Associação Comercial e Industrial de Poá (Acip) que realizou o evento.
*Texto supervisionado pelo editor.