A revolução de 1932 foi um marco da história do Estado de São Paulo, bem como do país, devido a sua importância na elaboração da Constituição de 1934, promulgada no intuito de "organizar um regime democrático, que assegure à nação, a unidade, a liberdade, a justiça e o bem-estar social e econômico", como informava o próprio decreto.
A data comemorada hoje, em memória deste, que foi um dos maiores confrontos armados da história do Brasil, tem uma forte ligação com Mogi das Cruzes, já que quatro das 934 vítimas fatais registradas durante os 87 dias de batalhas, eram da cidade. Trata-se dos mogianos Diogo Oliver, Fernando Pinheiro Franco, Jair Fontes de Godoy e José Antônio Benedito.
Segundo o professor e historiador Glauco Ricciele, dentre estas personalidades mogianas que deram sua vida em prol de seus ideias, destacam-se o cabo Oliver e Pinheiro Franco. O primeiro pela comoção de sua morte. Como militar, cabo Oliver tinha a obrigação de servir e defender São Paulo, e assim o fez. De acordo com relatos do historiador mogiano Ricciele, Oliver morreu em um túnel, na cidade de Mantiqueira, no Vale do Paraíba, onde o confronto se desenvolveu com mais violência. "O corpo de Oliver foi capturado pelos cariocas e, algo que marcou muito, é que seus pais ficaram pedindo pelo corpo de seu filho. Essa tarefa demorou alguns dias para ser realizada, e ganhou grande repercussão na mídia", completou o professor.
Já o jovem Pinheiro Franco pertencia a uma família importante de Mogi das Cruzes. "Pinheiro Franco tinha todo um futuro enquanto estudante de guarda-livros (comparado atualmente com contabilidade) e era de uma família muito importante da cidade, por isso a comoção foi gigantesca por sua morte", concluiu Ricciere, que ainda valorizou a participação de Fontes de Godoy e Benedito.
Além disso, o professor ainda destacou que a participação de Mogi era fundamental para os paulistas, por sua posição geográfica. "Todos os trens de armas e de soldados passavam por Mogi".
'Hospital'
Outra marca importante na história municipal foi quando o Theatro Vasques, no centro, se tornou um hospital de recuperação de quem se feria na guerra. "Por algum tempo, o teatro ficou como um centro de acolhimento dos enfermos e foi fundamental neste período para cidade e o Estado".
*Texto sob supervisão do editor.