Quatro meses de lembranças a serem esquecidas e quatro meses de superação. É desta maneira que as pessoas envolvidas direta ou indiretamente com o atentado que deixou 10 mortos - entre eles os dois atiradores - na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, no dia de 13 de março, estão encarando os últimos 120 dias. Boa parte deste contingente não conseguiu atendimento psicológico após a tragédia. De acordo números divulgados pela Prefeitura de Suzano, a fila de espera por atendimento psicológico na rede pública de saúde chegou a 1,5 mil pessoas. No entanto, somente agora, quatro meses depois, 34 psicólogos que foram enviados à cidade pelo governo do Estado começaram a atender a alta demanda que foi ocasionada pelo atentado. Os profissionais, que foram disponibilizados por meio de uma parceria com a Fundação Faculdade de Medicina (FFM), começaram a acolher as vítimas anteontem.
Por outro lado, para ajudar na recuperação psicológica dos jovens, a Associação Brasileira de EMDR ( Eye Movement Dessensization and Reprocessing), de forma voluntária, está em Suzano para acolher, de graça, crianças, jovens e adultos impactados pela tragédia e que ainda aguardam por atendimento psicossocial na rede básica de saúde.Especializada no tratamento de traumas resultantes de catástrofes, desastres naturais e violência urbana, a Associação Brasileira de EMDR conta em seus quadros com profissionais que já atuaram no atendimento a sobreviventes e familiares das vítimas do incêndio da Boate Kiss e do rompimento da barragem de Mariana. O grupo fez o primeiro atendimento em Suzano na última terça-feira. Na primeira oportunidade, foram acolhidos, oito grupos de crianças e de jovens, além de um grupo formado por 12 pais de alunos da Raul Brasil e que ainda estão traumatizados com o ataque.
Desde a tragédia na Raul Brasil, as Secretarias de Estado da Educação da Saúde e da Justiça e Cidadania têm articulado ações integradas de assistência psicológica a alunos, professores e funcionários.
Já a Diretoria Regional de Ensino de Suzano instalou novos portões e dois seguranças passaram a fazer monitoramento.
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