Comerciantes de Mogi das Cruzes buscam alternativas para se adaptarem à lei que proíbe o uso de canudos plásticos não biodegradáveis. A aprovação da câmara sobre o Projeto de Lei 26/2017, que trata do assunto, foi realizada no ano passado e começa a valer a partir do dia 17 deste mês. Apesar de acharem a nova medida positiva, os proprietários de lanchonetes e restaurantes apurados pela reportagem revelaram que uma das possibilidades é não utilizar nenhum tipo de canudo.
Este é o caso da dona de um restaurante localizado no centro da cidade, Juliane Siqueira, de 27 anos. "Eu fiquei sabendo da nova lei por meio da mídia. É algo muito bom para o meio ambiente, disso não tenho dúvidas, mas aqui nós não iremos dar continuidade ao consumo dos canudos. O preço dos biodegradáveis também é muito mais caro", explicou.
Já na lanchonete de Wilson Alves, 33, os canudos já não são oferecidos, mas ele ainda tem dúvidas sobre adotar ou não os biodegradáveis. "Aqui eu já não uso há muito tempo e não notei nenhum efeito negativo no meu lucro mensal. Estou realizando estudos para decidir se compro ou não os biodegradáveis, mas se o preço estiver muito alto, os meu produtos vão encarecer também", completou.
Alguns consumidores também questionam os locais que não utilizam mais os canudos, como explicou a proprietária Kátia Tanaka, 40. "A maioria da clientela compreende o nosso encerramento do uso, mas algumas pessoas acham ruim e ficam com muitas dúvidas sobre a alternativa. Não pensamos em utilizar os biodegradáveis porque são quatro vezes mais caros do que os de plástico e não compensa para o meu comércio", pontuou.
Por outro lado, o consumidor Marcelo Gomes, 31, apontou a falha na comunicação da prefeitura com a população. "O anúncio do fim do uso dos canudos plásticos foi realizado de uma maneira equivocada e ofereceu pouco tempo para os comerciantes se adaptarem. Eu sou dono de um estabelecimento que vende churrasco e tenho pouco tempo para utilizar todo o meu estoque de canudos plásticos. Se tivesse sido avisado antes, teria comprado menos material", lamentou.
O projeto dos vereadores Otto Rezende (PSD) e Fernanda Moreno (PV) foi aprovado pela Câmara Municipal em novembro do ano passado e começa a valer no dia 17 deste mês. Ontem, a Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC) fez um alerta para que todos os comerciantes estejam atentos ao prazo final e não corram o risco de serem multados. A partir da data, todos os estabelecimentos que descumprirem a legislação estarão sujeitos a multas que podem chegar a R$ 9.573,85 (55 Unidades Fiscais do Município - UFMs).
* Texto supervisionado pelo editor.