O dia de hoje marca os três meses do atentado que ocorreu na Escola Estadual Raul Brasil, na região central de Suzano. O local, antes de aprendizado e amizades, deu espaço para uma das mais tristes tragédias da região, quando dois ex-estudantes da escola, às 9h40, aproximadamente, entraram pelo portão da frente do prédio e em menos de dez minutos fizeram sete vítimas. Antes de cometerem o crime na escola, minutos antes, os assassinos já haviam matado o tio de um dos jovens em seu trabalho.
O caso teve repercussão nacional, já que é atípico à realidade brasileira, principalmente para uma cidade com pouco mais de 262 mil habitantes.
Entre os alunos que foram mortos estava o estudante Douglas Murilo Celestino, 16 anos, que segundo seus familiares e amigos, era um menino muito tranquilo, gentil e simpático. O jovem chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, mas não resistiu ao ferimento.
Segundo o primo do jovem, Leonardo Silva, o sentimento que fica, passados três meses da tragédia, é de tristeza e estranheza. "Parece que estamos em um pesadelo e que vamos acordar e ele vai estar lá, do nosso lado", relatou Silva.
Imaginar os últimos momentos de vida do primo, que segundo Silva devem ter sido de pânico, é algo que ainda acontece frequentemente nesse processo de cicatrização pela dor da perda do familiar e amigo. "A gente tinha um ente querido e do nada acontece uma tragédia dessa, da forma que foi. A falta que ele faz é tremenda", completou. Para quem acompanhou o caso, vai lembrar que Douglas Celestino é o rapaz havia conseguido fugir da escola e voltou para resgatar a namorada, e acabou morto. O ato tornou o jovem um herói entre os colegas.
Inquérito
Serve de conforto às famílias e amigos dos envolvidos que os possíveis participantes do massacre à escola estão presos e já foram indiciados. O titular da Delegacia Central de Suzano, Alexandre Dias, anunciou que os quatro homens presos suspeitos de venderem a arma e as munições aos atiradores foram indiciados por dez assassinatos e 11 tentativas de homicídio.
*Texto sob supervisão do editor.