Após o atentado na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, que resultou na morte de oito pessoas, além dos dois atiradores, as cidades da região foram bombardeadas com ameaças falsas de jovens que demonstravam interesse em praticar ações parecidas em suas unidades de ensino.
Em Ferraz de Vasconcelos, um jovem foi parar na delegacia, após postar um vídeo nas redes sociais com uma máscara semelhante a de um dos criminosos de Suzano, avisando aos colegas de escola que aquela seria a última noite de sono, pois ele mataria a todos. Em Mogi das Cruzes, outro adolescente fez ameças parecidas e a Escola Estadual Doutor Deodato Wertheimer contou com a presença de uma viatura da Polícia Militar durante o período letivo.
A intenção da cúpula da Polícia Civil do Estado de São Paulo é modernizar, ainda mais, os equipamentos de monitoramento de redes sociais, para combater esses crimes na internet e outros que começam neste ambiente, como afirmou o delegado seccional Jair Barbosa Ortiz. Ele disse ainda que a polícia trabalha com inquéritos formais e que o departamento de inteligência da Polícia Civil está analisando todas as ameaças que a polícia interpreta como danosa à população. "Esse trabalho de monitoramento é feito não só no campo da ameça, mas também da pedofilia, e nas organizações de quadrilhas, que muitas vezes começam nas redes sociais", acrescentou.
Ortiz tranquilizou a população e disse que todos os casos de ameaças relatados à polícia não passaram de "bobeiras de jovens". "Em todos os casos, nada ocorreu. De fato não passou do campo da apologia", frisou o delegado. Ortiz disse ainda que essas ameaças precisam ser investigadas, o que demanda que um efetivo de policiais deixe suas obrigações para atender a suposta ocorrência.
Ao comparar esses boatos com os "trotes" passados ao Corpo de Bombeiros, o delegado Ortiz informou que o atentado da escola Raul Brasil foi um caso eventual e que a ação não é cultural do nosso país. "Não passa de bobeira de criança. Teve um caso de um jovem que falou que participa de um jogo on-line e para passar de fase ele precisava fazer uma ameaça grave. Ele fez isso", contou Ortiz.
Consequências
Além de mobilizar um efetivo de polícias, que poderiam estar no atendimento de outras ocorrências, as ameaças falsas marcam o histórico criminal desses jovens, fato que pode acarretar em problemas no futuro. O delegado Ortiz enfatizou que os autores desses trotes se tornam perene perante a Justiça, o que pode o excluí-lo de uma vaga de emprego, cargo público e entre outras funções. "Essa pessoa no futuro pode estudar, mudar de vida, casar, ter filhos e se candidatar a um concurso público, ele será lembrado por essa bobeira", concluiu Ortiz.
*Texto supervisionado pelo editor.