Aos 17 anos, Lucas Inácio Pereira teve o sonho de se formar no curso superior de Jornalismo na Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) interrompido. Ele foi uma das 18 vítimas fatais do acidente ocorrido no dia 8 de junho de 2016, no quilômetro 84 da rodovia Mogi-Bertioga (SP-98), envolvendo um ônibus fretado que levava de volta para casa, nas cidades de São Sebastião e Bertioga, estudantes das duas universidades localizadas em Mogi. "Ele era uma pessoa muito divertida, caricata e teatral. Ele era amigo de todo mundo, muito parceiro", lembrou a estudante de Jornalismo, Ingrid Mariano, amiga de Lucas desde o início da graduação.
Amanhã marca três anos desse acidente. Além de Lucas, outros 16 estudantes tiveram o futuro interrompido. Na ocasião, o motorista do ônibus fretado, Antonio Carlos da Silva, na época com 37 anos, também acabou falecendo. "Conheci o Lucas na universidade, tínhamos 17 anos, éramos tão novinhos, mas nos aproximamos muito. Lembro que no dia do acidente nós apresentamos um trabalho juntos e ele me disse que ia me contar algo no dia seguinte, mas esse dia nunca chegou", contou Ingrid.
Morador de São Sebastião, o estudante saía todos os dias de sua casa rumo a Mogi. Todos os dias fazia o mesmo trajeto, na mesma rodovia. Ele gostava de musicais e naquele ano participaria do Festival de Talentos da UMC. "A perda dele fez com que todos repensassem sobre tudo o que aconteceu. Agora que a poeira abaixou o que fica é a saudade, sempre pensamos nele, principalmente agora no final do curso que vamos ter nossa formatura e ele não vai estar com a gente", disse Ingrid.
Para a família, ainda é difícil lembrar de Lucas. A ausência dele é visível, ainda mais pelo carinho e pelo estilo único de ser. "Existem momentos que a saudade aperta bastante e em outros eu consigo me sentir calmo, mas incompleto. Quando eu chego em casa ele não está, é difícil", revelou o irmão, João Cléber Inácio Alves, 24. Até mesmo as famosas "brigas de irmãos" deixaram um vazio em Alves. "Brigávamos pelo volume da música que ele ouvia, pelo gosto musical, pela demora no banho e pelo tempo que passava no computador, mas no meio disso sempre dávamos risadas", contou.
Justiça
O advogado José Beraldo representa 12 famílias das vítimas do acidente. De acordo com ele, metade das ações impetradas já foram ganhas e o valor fixado para cada indenização é de R$ 500 mil. "Estou recorrendo e pedindo um valor maior. Infelizmente nossa Justiça é morosa, mas estamos sendo vencedores, os ônibus da empresa União estão bloqueados e estamos pedindo pena máxima aos proprietários por 17 homicídios culposos", explicou. Amanhã, as famílias se reunirão às 20 horas na Capela da Barra do Una, localizada ao lado do memorial e cemitério para uma missa em homenagem aos estudantes.