O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ) acatou a denúncia do Ministério Público (MP) e julgou como procedente a apreensão do jovem de 17 anos que, de acordo com as investigações, teria participação direta no atentado da Escola Estadual Professor Raul Brasil, em que dois atiradores, antes de se matarem, assassinaram oito pessoas em Suzano, em 13 de março. Com esse parecer, o suspeito continua apreendido na Fundação Casa por tempo indeterminado.
O jovem foi detido pela Polícia Civil uma semana após o ataque à escola e a Justiça teve 45 dias - prazo que se encerraria hoje - para analisar se a denúncia da polícia e do MP era procedente, constatando assim que o jovem seria o mentor intelectual do atentado. Durante o período que o menor ficou internado, houve diversas audiências de instrução com ele, e com outras testemunhas que poderiam indicar a relação do jovem com o atentado.
Porém, à época, o delegado de Suzano, Alexandre Henrique Augusto Dias, afirmou já haver indícios que levavam a crer que o adolescente seria o articulador intelectual do atentado. "As provas revelam que ele seria um mentor intelectual, pois ele comprou objetos que poderiam fazer com que participasse do crime, só não sabemos o motivo para não ter participado", contou. Desde o começo das investigações, a defesa do suspeito afirma que ele apenas "fantasiou o crime" e que não teve envolvimento. Com a decisão de mante-l o preso, o advogado de defesa informou à Imprensa que se pronunciará sobre o caso somente na segunda-feira.
O envolvimento do menor como suposto autor intelectual do crime corre em segredo de Justiça e por esse motivo o TJ não pode informar em qual unidade de detenção o menor está e nem por quais crimes ele deverá responder.
Envolvidos
Além do jovem de 17 anos, a polícia deteve outras três pessoas que teriam ligação direta com o atentado. Esses investigados estariam relacionados, por exemplo, com a venda da arma utilizada no ataque e as munições. Um desses suspeitos é Geraldo Oliveira dos Santos, que foi preso temporariamente por 30 dias, anteontem, pela Polícia Civil, como o responsável por ter vendido o revólver calibre 38 aos dois atiradores. O mecânico Cristiano Cardias de Souza, 47, conhecido como Cabelo, ainda está preso com a acusação de que ele seria o intermediário entre o mais recente preso, Santos, e os dois jovens. Um desses indivíduos já foi solto pela polícia, com a afirmação de falta de provas que o incriminaria. 
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