Uma demanda antiga dos professores da rede pública de ensino deu mais um passo importante em busca de melhorias na tarde de ontem na sessão ordinária da Câmara de Mogi das Cruzes. Trata-se da deliberação do projeto de lei do Executivo sobre o plano de carreira da classe e também sobre outros pontos que, segundo alguns parlamentares, vão interferir diretamente na vida dos educadores. Na prática, o projeto será discutido minuciosamente pelas comissões responsáveis.
A proposta, que vai rever o estatuto do magistério, vai promover alterações necessárias na carga horária dos professores, quantidade dos profissionais, gratificações, enfim, algo complexo que será feito pelo Legislativo. Portando, os vereadores pediram muito diálogo com a classe e que fosse retirado o caráter de urgência, para que as discussões sejam profundas neste sentido.
O vereador Mauro Araújo (MDB) destacou a necessidade de calma para a discussão da pauta. "O projeto não pode chegar na casa e em 40 dias a gente querer votar sem discutir, devemos escutar os anseios de todos os lados, para que não tenha que votar um estatuto e logo após ter que votar outra norma", disse. Mesmo com a complexidade da pauta, o parlamentar ainda ressaltou que a Casa de Leis tem de ter ciência que essa demanda é um avanço e benefício aos funcionários.
Repúdio ao MEC
Já em relação ao ensino superior no Brasil, houve consenso entre os parlamentares sobre a baixa qualidade. Porém, não houve acordo referente a uma moção de repúdio ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), que desaprovava o ensino a distância (EAD) na área da Saúde. Isso porque, para parte dos parlamentares, o termo "repúdio" não era justo com o EAD, uma vez que o método ajuda o acesso à Educação. Os vereadores argumentaram que não é possível que a Saúde, já "sucateada" no país, seja feita à distância.
A moção teve autoria de Rodrigo Romão (PCdoB), que afirmou ser impossível que o profissional de Enfermagem faça graduação a distância. "Como uma pessoa pode fazer Medicina sem estar na faculdade? Algumas universidades de São Paulo querem que a carga dos estágios seja cumprida com bonecos na própria instituição", comparou.
Entretanto, para a maioria do plenário, o EAD trouxe acesso democrático ao ensino, por sua flexibilidade e, por isso, a moção não foi aceita.
* Texto supervisionado pelo editor.