Familiares dos jovens que estavam apreendidos na unidade da Fundação Casa de Ferraz de Vasconcelos, e que, na semana passada, foram transferidos, se concentraram em frente ao Fórum de Suzano para organizar um protesto pelos maus-tratos que os adolescentes estão sofrendo em outras unidades.
De acordo com a encarregada de obras e mãe de um dos internos, Flávia Cristina Novaes da Silva, de 39 anos, a preocupação é enorme. "Em Ferraz, os menores eram bem tratados, e eu saía sem me preocupar. Agora, com esses maus-tratos, eu não consigo nem dormir".
Para Flávia, as agressões são um ato desumano. "Quando ele chegou em São Vicente, ele me disse que apanhou muito e passou por diversas situações antes de chegar à unidade de Guarujá. Do jeito que os guardas estão tratando os jovens, parece que eles foram transferidos por rebelião ou coisa pior'', lamentou.
A dona de casa Luciane Maria de Conceição do Santos, 42, mãe de um dos jovens, afirma que as agressões começaram na semana passada, quando os adolescentes se deslocaram para as outras unidades. "Conversando com a assistente social, ela me disse que o meu filho havia tomado um 'presta atenção'' no dia da transferência. Na chegada à nova unidade, um outro menino havia vomitado, e os profissionais fizeram ele limpar com a língua'', revelou.
O encontro ocorreu depois que os familiares se reuniram, na última terça-feira, em frente ao Fórum de Suzano, após uma conversa com o presidente da comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Renan Lima Franco. No entanto, ontem, as mães voltaram ao local para entregar as documentações com a intenção de seguirem com uma denúncia à Fundação Casa. "Com esses documentos em mãos, nós vamos encaminhar aos órgãos competentes, como o Ministério Público da Infância e da Juventude, a Defensoria Pública e para a OAB dos lugares onde os jovens estão'', afirmou o diretor da comissão.
A Fundação Casa comunicou que as reclamações das mães que tiveram os filhos transferidos estão sendo investigadas pela Corregedoria Geral da Fundação Casa e que dos 103 adolescentes da unidade de Ferraz, somente 24 foram para o litoral e os outros continuam na Grande São Paulo e na capital. A instituição ressaltou também que o transporte gratuito de ida e de volta a todos os familiares terá continuidade.
Sobre a unidade de Ferraz, a Fundação Casa afirma que está aguardando uma segunda análise da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), mas ainda não tem uma data para o retorno dos menores.
Transferência
Os 103 internos das duas unidades da Fundação Casa de Ferraz de Vasconcelos foram transferidos na semana passada, após a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) constatar que havia contaminação no solo das duas unidades. Durante a transferência, os menores foram separados em diferentes unidades de São Paulo. Já os funcionários puderam escolher a unidade para a qual gostariam de ser remanejados.
Na época, a entidade também afirmou que os familiares dos internos foram avisados sobre a transferência e informaram com antecedência os funcionários do local.
*Texto supervisionado pelo editor.