O nascimento de Suzano, que hoje abriga cerca de 300 mil habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), envolveu descendentes de piratas e indígenas que, juntos, construíram uma comunidade em meio a disputas e colonizadores. Mesmo ainda em meados de 1700, quando Suzano ainda não tinha esse nome e pertencia a Mogi das Cruzes, surgiu uma pequena capela, construída por um jesuíta em homenagem à Nossa Senhora da Piedade, que mais tarde ficou conhecida como a Igreja do Baruel. Esse é considerado o marco do nascimento de Suzano.
Naquela época, a necessidade de um líder para a comunidade fez com que o povo elegesse o cacique Índio Tibiriçá como o representante. Antes disso, em 1600, uma mina de ouro foi descoberta na altura do Rio Taiaçupeba e assim teve início a mineração no local. Mais tarde, quando Tibiriçá, que estava no comando do grupo da região, hoje, atualmente no distrito de Palmeiras, um pirata descendente da família Barwell chegou ao local e se casou com uma das filhas do cacique. Assim, com um nome "aportuguesado", passou a ser Baruel. "Com esse casamento a família acabou se tornando muito rica e a região do Baruel já fazia parte de percursos para ir a Mogi, por exemplo. Esse pirata foi destaque para a comunidade que acabou adotando o nome dele para o local. Ele era de uma família fora do comum na época. Dormia em cama enquanto todos dormiam em redes", explicou o professor Suami Paula de Azevedo, morador de Suzano desde 1977, sendo secretário Municipal de Cultura entre 2013-2016.
No final de 1890 a capela foi derrubada, no entanto, um italiano prometeu a sua noiva erguer novamente uma igreja. "Um imigrante italiano prometeu que construiria uma capela, que é a que existe hoje. Antes disso, em meados de 1850, aquela região já tinha comércios e logo surgiu a possibilidade da passagem da linha férrea por lá", lembrou Azevedo.
A construção da ferrovia acabou não passando pelo Baruel, mas sim no local que abriga hoje a atual estação da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na rua Doutor Prudente de Moraes, e envolveu personalidades que hoje nomeiam ruas e avenidas, como a avenida Antonio Marques Figueira, por exemplo. Ele trabalhou na construção da linha férrea e conseguiu fazer com que o engenheiro da obra, Joaquim Augusto Suzano Brandão, construísse uma estação.
Em 1940, Suzano já tinha um desenvolvimento que dava potencial e iniciou então uma briga para que, o ainda distrito de Mogi, passasse a ser um município. Foi então, que, em 24 de dezembro de 1948 Suzano foi decretada município e em 2 de abril de 1949, o primeiro prefeito, Abdo Rachid e os vereadores tomaram posse. E assim, hoje a cidade celebra seus 70 anos de emancipação político-administrativa.