Mais de 30 dias da tragédia na Escola Professor Raul Brasil, em Suzano, o Centro de Referência e Apoio à Vítima (Cravi), um programa da Secretaria da Justiça e Cidadania, realizou mais de 17 plantões e contabilizou 379 atendimentos psicológicos para alunos, professores e funcionários nas dependências da escola, e visitas domiciliares para as pessoas que não têm condições físicas ou psicológicas para retornar à escola.
De acordo com Bruno Fedri, psicólogo do Cravi, os atendimentos tiveram como objetivo colaborar para a abertura de um espaço de escuta e acolhimento para a elaboração da violência e recaracterização gradativa do ambiente escolar como espaço comprometido com a coletividade e o aprendizado.
Para o psicólogo, o restabelecimento da segurança e a elaboração do luto são alguns dos maiores desafios encontrado. "A escola, que antes era um espaço de convivência que facilitava o estabelecimento de vínculos entre os alunos, tornou-se prejudicada com a violência que ocorreu. Todos se sentem inseguros e ansiosos, e ainda encontram pela frente a tarefa de elaborar o luto de seus colegas, o que demanda tempo e acompanhamento especializado", disse Fedri. "A história da escola Raul Brasil, a mais antiga da cidade e que certamente contém exemplos de superação e conquistas, não pode ser resumida neste ato de violência. Esperamos poder transformar e ultrapassar este episódio", destacou.
O Cravi continuará realizando plantões psicológicos semanais no local. Como proposta de intervenção, além dos plantões, o programa criará um "Grupo de Cidadania".
O grupo será formado por alunos e alunas, por meio de encontros semanais com duração de duas horas e com temas pré-estabelecidos, como "direitos e deveres", "escola que temos x escola que queremos", e "com quem podemos contar para pedir ajuda?". Serão realizados dez encontros na própria escola com aproximadamente 20 participantes em cada grupo.