Faltando pouco mais de uma semana para a Páscoa, as vendas dos tradicionais ovos de chocolate já superaram as expectativas em relação ao ano anterior, conforme avaliação dos representantes comerciais. O gerente de supermercado Felipe Gomes, de 31 anos, exemplificou à reportagem que a comercialização dos produtos já ultrapassou em 6% a estimativa, e deve chegar a 10% na próxima semana.
"Por enquanto, as compras ainda não atingiram a meta porque alguns consumidores preferem comprar os ovos em datas mais próximas à Páscoa", explicou. No entanto, nesta semana a procura pelos produtos foi grande. "Nós esperávamos aumentar 15% na procura comparando com 2018, e já estamos com 16%", revelou.
Os dados estimados pela Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC) sobre as vendas confirmam que elas podem ser maiores este ano. De acordo com a ACMC, o município deve aumentar em 2% as vendas também em comparação com o ano passado. O levantamento é feito pela entidade para o período inteiro da comemoração e não prevê alterações.
A consumidora Marisa Bueno, 54, diz que não tem como passar a Páscoa sem comprar ovos de chocolate para o filho. "Como o meu filho vai fazer 14 anos, ele já não liga mais para os brinquedos, vou comprar apenas ovos sem nenhuma surpresa. Isso vai me ajudar muito, já que os brinquedos fazem o preço subir bastante e agora eu não preciso mais me preocupar com isso", afirmou.
Para o consultor de treinamento Marcelo Paiva, 47, o momento exige economia. Ele disse que, este ano, vai mudar a forma de presentear as filhas e a esposa. Antes, cada uma recebia um ovo e agora será apenas um para toda a família. "Embora exista a alternativa de comprar caixas ou barras de chocolate, eu penso que elas são mais para o dia a dia e datas com esta exigem algo diferente", explicou. Ele contou também que, na época em que ainda namorava com sua esposa, também a presenteava na Páscoa e esse costume é antigo e ainda mantido.
Já o advogado Ananias Godoy, 30, é mais crítico em relação ao consumo dos ovos de Páscoa, apesar de gostar e comemorar a data no sentido religioso. "Nessa época, nós conseguimos comparar um ovo de Páscoa com barras de chocolate da mesma qualidade e peso e entender como os preços aumentam simplesmente por terem formato oval. Isso produz um efeito econômico muito diferente do que deveria ser", contou.
A aposentada Carmen Lúcia da Silva, 65, também citou a economia como um ponto importante a ser analisado. "Diante da má situação econômica em que o país vive e a quantidade de pessoas desempregadas, os preços estão altíssimos", observou. Ela falou também sobre a importância da comemoração ser voltada ao real sentido, a ressurreição de Cristo. "Na minha igreja, nós ensinamos às crianças sobre o lado do cristianismo da Páscoa, e os chocolates vêm apenas como um detalhe", frisou.
Alternativa
As opções que vão além dos supermercados e lojas especializadas são os produtos caseiros. Eles seguem conquistando espaço entre os consumidores não só pelo sabor, como também pelos preços inferiores aos dos industriais. Sônia Siqueira, 52, tem preferência por eles. "Já faz alguns anos que eu e meu marido compramos os ovos por encomenda e sempre optamos por eles. Além do preço, que é menor, eles são mais saborosos também", pontuou.
Para a ACMC, a expectativa de venda desta linha de mercadorias é maior do que a do convencional, chegando a 10% de acréscimo.
*Texto supervisionado pelo editor.