Nem mesmo a garoa que atingiu Suzano no início da tarde de ontem fez com que os voluntários Alberto dos Santos Mendes, de 53 anos, e Antônio da Paz, 54, deixassem de limpar as ruas e calçadas do entorno da Escola Estadual Raul Brasil, palco, na quarta-feira da semana passada, dos ataques que vitimaram oito pessoas, além dos próprios atiradores. Com uma pá e uma vassoura, a dupla retirava, voluntariamente, as flores que já não tinham mais vida. "Nossas flores foram embora, mas não destruirão nosso jardim", disse Mendes.
Morador de Londrina, no Paraná, Mendes está em São Paulo desde o início deste ano e decidiu permanecer em Suzano logo após o atentado. "Esse caso mobilizou todo mundo, somos pais também; e o que aconteceu aqui chamou atenção, foi assustador e nos faz questionar o que levou os jovens a fazer isso".
Ele, que trabalha como azulejista, lembrou com saudade da família, mas garantiu que ficará em Suzano até a escola seja reerguida. "Não vou embora sem que a escola se reconstrua, quero estar aqui presente, quero estar ao lado das famílias e dos jovens nesse momento tão difícil".