Para a psicóloga criminal Célia Siqueira, as maiores lições que podem ser tiradas sobre a tragédia de Suzano, com a morte de dez pessoas, incluindo os assassinos Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, estão relacionadas ao distanciamento entre a família e a falta de diálogo.
Guilherme havia perdido a avó, que o criou, três meses antes do ocorrido. De acordo com o avô do jovem, os pais do jovem eram dependentes químicos e ele não tinha contato com eles. Já Castro aparentava ter uma família comum. Morava com os pais e avós e, de acordo com o advogado da família, Fabrício Tsutsui, não apresentava qualquer indício de que poderia cometer esse crime.
Porém, para a especialista, a forma que esses jovens foram criados e influenciados pode ter desenvolvido uma psicopatia. "Não sabemos muita coisa, não temos material para conclusão, porém o trauma psicológico durante a infância, traumas vindos de abusos, tanto mentais como físicos em um dos jovens, possivelmente o mais velho, e os abusos psicológicos que Guilherme foi exposto podem ter sido causadores de uma psicopatia que gerou essa tragédia".
Sem as informações que estão sendo analisadas pela polícia, a especialista chegou a uma conclusão. "O jovem sozinho é um problema, ele encara os fatos da vida como se tudo fosse difícil. Acha que sabe tudo, mas, comportamentalmente falando, não sabe nada", estimou.
Em abril de 2011, no bairro de Realengo, do Rio de Janeiro, 12 adolescentes morreram no massacre ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira. Eles foram vítimas do ex-aluno da escola, Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, que acabou se matando.
Para a especialista, há semelhanças entre os assassinos. "Não só com este caso, como em vários outros, há uma semelhança sim, seja na parte da execução do plano quanto na parte comportamental. O indivíduo tem uma patologia e nesses casos agudos se manifesta na transferências de seus rancores e emoções fracas", disse. Ela ainda afirmou que os jovens tinham uma "necessidade de chamar a atenção" com a violência.
* Texto supervisionado pelo editor.