O Secretário de Estado da Educação de São Paulo, Rossiele Soares Silva, esteve ontem na Escola Estadual Raul Brasil, palco dos ataques que deixou nove pessoas mortas, entre elas os dois atiradores, Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, na quarta-feira da semana passada, para anunciar que alterações no sistema de segurança deverão ser promovidos nas escolas estaduais. Já o prefeito Rodrigo Ashiuchi (PR) destacou que as unidades de ensino da rede municipal também deverão sofrer mudanças na segurança, entre elas está a instalação de câmeras nas escolas com integração direta ao Centro de Segurança Integrada (CSI), previsto para ser inaugurado no mês de abril. Os equipamentos funcionarão com identificação de atividades suspeitas e alarme. Ambos os anúncios ocorreram ontem, durante um culto ecumênico realizando no interior da Raul Brasil.
De acordo com Soares, colocar mais câmeras ou policiais nas escolas pode não trazer o resultado esperado, para o chefe da pasta da Educação, o problema pode ainda estar oculto. "Não é só colocar um policial na porta da escola, não é só colocar a câmera de segurança, não é só colocar mais segurança. Nós precisamos, em primeiro lugar, é ter o cuidado das pessoas. Se nós não identificarmos, não aprendermos a identificar as fragilidades no nosso sistema, no cuidado com as pessoas, nós continuaremos errando".
Ainda de acordo com o secretário, a população, de um modo geral, pode colaborar na tentativa de encontrar soluções quando casos, como o de quarta-feira passada ocorrem, principalmente levando em consideração o público jovem. "Nós precisamos discutir esse assunto. A escola no seu papel, de como conversar, como encontrar o jovem. A família com o papel de tratar esses tipos de problemas e como a mídia deve tratar esse tipo de caso, que não é simples".
Por sua vez, com as medidas de seguranças que serão adotadas, Ashiuchi pretende acionar o quanto antes a Guarda Civil Municipal (GCM) e a Polícia Militar para evitar tragédias semelhantes. "Nosso principal trabalho, como reconstrução, é a implantação de um processo de alarme e sistema de pânico nas escolas, ligados direto a uma central de monitoramento", disse o chefe do Executivo. "Pretendemos colocar também um 'botão do pânico', que, ao ser acionado, enviará um chamado à viatura da GCM mais próxima da escola", completou.
Durante toda a coletiva, ambos reforçaram a ideia de que a segurança não pode ser feita por uma pessoas ou um mecanismo, o foco é se preocupar com outras situações que vão além da segurança, como o psicológico e a conversa.
*Texto supervisionado pelo editor.