Independência é algo que deveria fazer parte da rotina da aposentada Eliceia da Silva Monteiro, de 67 anos e portadora de deficiência física. Porém, pelo fato de não haver acessibilidade urbana necessária no bairro onde mora, no distrito de Jundiapeba, ela não consegue usar a cadeira de rodas motorizada e depende do irmão e sobrinho para se locomover por meio de uma cadeira de rodas simples. 
A família mora na rua Laurindo Pereira, que dá acesso à avenida Lourenço de Souza Franco, via que vai até o centro do distrito e, também, paralela a avenida Dona Áurea Martins dos Anjos, que dá acesso à Estação Jundiapeba e região central de Mogi.
Na avenida que dá acesso à região central não há rampas nas calçadas para cadeirantes, o que gera dificuldade para dona Eliceia ir até o centro da cidade ou para a Estação Jundiapeba. Por conta da dificuldade, a família não utiliza o caminho, e passa pela avenida Lourenço de Souza Franco para sair do bairro. "Pagamos, neste ano, R$ 798 de IPTU, e agora? Cadê nossos benefícios e melhorias no bairro?", questionou dona Eliceia.
Nessa passagem, além da calçada ser muito estreita (não comportando o tamanho da cadeira de rodas), os veículos têm que avançar com o carro na avenida para terem visão do movimento da via, o que pode ocasionar acidentes de trânsito. Dona Eliceia, para ter acesso ao centro do distrito, quando precisa ir à farmácia ou ao mercado, tem que passar pelo meio da avenida para, depois de alguns metros, conseguir subir na calçada, sempre com a ajuda do irmão ou do sobrinho.
"Os carros têm que desviar da gente para não atropelar. E ainda temos que andar mais de 100 metros para atravessar. Deveria ter esse acesso a cada 100 metros", opinou o sobrinho, Júlio César Monteiro, 23, ajudante de pintor.
Jardim Rodeio
A reportagem também foi até a avenida Pedro Romero, no Jardim Rodeio, onde ficam o Centro de Reabilitação AACD, a UPA 24 horas e SIS. Em frente à AACD há uma rampa, mas a rua não conta com faixa para pedestres e nem outra rampa na calçada do outro lado da rua, via que dá acesso ao ponto de ônibus.
Isso deixa a rampa inutilizável, uma vez que não os condutores dos veículos não são "avisados" pelas faixas de pedestres a diminuir a velocidade. A 100 metros, em frente a UPA 24 horas, há uma faixa de pedestres e rampa de acessibilidade na calçada do ponto de ônibus. Do outro lado não há rampa, mas, ao menos, a calçada é rebaixada.
Já na avenida Francisco Rodrigues Filho, paralela a avenida Pedro Romero, a calçada que também dá acesso ao ponto de ônibus possui rampas de acessibilidade (até o outro lado da via, em frente a uma escola), mas a calçada no sentido centro de Mogi não possui pavimentação por grande parte da extensão da avenida; ganhando forma apenas depois da rotatória onde existe a ciclovia - o que dificulta o trânsito de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
* Texto supervisionado pelo editor.