Suzano foi cenário, ontem, de uma das maiores tragédias que aconteceram no Alto Tietê: o massacre na Escola Estadual Raul Brasil, localizada no bairro Jardim Imperador, deixou mortos e feridos após dois ex-alunos, o adolescente Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos e Luiz Henrique de Castro, 25, entrarem na instituição e atirar contra estudantes e funcionários. De acordo com a confirmação do governo do Estado de São Paulo, cinco alunos foram mortos, são eles Caio Oliveira, 17; Claiton Antônio Ribeiro, 17; Douglas Murilo Celestino, 16; Kaio Lucas da Costa Limeira, 15 e Samuel Melquiades Silva Oliveira, 16. Além deles, duas funcionárias também foram executadas, a coordenadora Marilena Ferreira Vieira Umezo, 59 e Eliana Regina de Oliveira Xavier, 38. A dupla de atiradores, antes de chegar à escola, também assassinou o dono de uma locadora de veículos, que é tio do adolescente, Jorge Antônio de Moraes, 51.
Após dispararem em série, um deles atirou no comparsa e, depois, cometeu suicídio. Ambos estavam portando pistolas calibre 38, carregador de munição, besta -uma espécie de arco e flecha- e um machado. Era por volta de 9h30 quando tudo começou, os alunos estavam em intervalo. Toda a ação durou cerca de 15 minutos.
O clima em frente à escola foi de muita tristeza e medo, principalmente pelos estudantes que presenciaram a cena e estiveram em busca de notícias dos colegas. "Eu estava na biblioteca quando escutei os barulhos e aí trancamos a porta. Ficamos lá até que tivéssemos a certeza que estava seguro para sair, abaixados no chão para não acontecer nada, foram muitos disparos e cheguei a ver um dos atiradores", disse a estudante Sabrina Alves, 17. Logo que o crime aconteceu, ela ligou para o pai, o prensista Custódio José Alves, 52. Emocionado, ele esperava por notícias de vítimas. "Minha filha me ligou e eu vim correndo para cá, não tenho palavras para dizer a emoção que sinto, não aconteceu nada com ela, mas sentimos pelos outros", contou.
Outra testemunha do crime foi o estudante Levi Alves, 14, que se escondeu junto com colegas aos fundos da escola. Ele presenciou o momento que amigos foram atingidos pelos disparos. "Logo que tudo começou nós corremos para se esconder, eu vi um amigo baleado na perna, um outro que a bala passou de raspão no braço, foi horrível", lembrou.
Já o pedreiro José dos Santos, 59, que mora em frente à escola, ressaltou que nunca imaginou presenciar um massacre tão de perto. "Sempre escuto o barulho das crianças e quando fiquei sabendo desse crime eu vim para cá correndo, é algo que ninguém acredita, pode ser algo espiritual que as crianças não têm nada a ver com isso".
Curiosos e familiares de estudantes da escola também estavam no local aguardando informações. Uma delas, a dona de casa Mayara Nikaido, 17, procurava por uma prima. "Eu acordei e fiquei sabendo do que aconteceu e corri para a escola, moro aqui perto e estou atrás de uma prima minha, não tenho informações sobre ela", disse. Um grupo de professores da instituição também aguardavam por informações. Para a reportagem, afirmaram que o momento é de muita tristeza, algo que nunca imaginaram.
Site hackeado
Por volta das 16h30, o site da Prefeitura de Suzano havia sido hackeado. Na página virtual era possível encontrar a seguinte mensagem de um grupo intitulado "Red Eye Crew" : "Um governo fascista faz de seu povo seu espelho. Política de armamento da população vai gerar cenas lamentáveis como a que vimos hoje aqui em Suzano. Infelizmente colocamos um louco à frente de nossa noção...". No final da tarde o site foi retirado do ar.