Após quatro anos de uma das maiores crises hídricas, a situação dos reservatórios vista no Alto Tietê é totalmente diferente. Dados de anteontem da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), relativos à Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), mostram a pluviometria superior à média histórica em todos os mananciais, com exceção do Cantareira, que ainda assim já está bem próximo do nível histórico. Para se ter ideia desse panorama, na região, a chuva até o momento foi 31% superior à média histórica de março.
As chuvas recentes repercutiram de forma positiva nos reservatórios, que se encontram em nível mais alto, 74%, desde agosto de 2011, quando estava em 77,8%. Assim, a situação é bem diferente da apresentada em 2015.
As informações passadas pela Sabesp ainda indicam que, neste período, houve chuvas acima da média nas regiões que abastecem os mananciais, por isso, o quadro que antes era preocupante pela falta se torna estável.
O ponto fora da curva é o Sistema Cantareira, que não subiu tanto quanto os outros reservatórios e está com 54,7%. Um fator importante é que a RMSP não é mais tão dependente dele. Se antes da crise hídrica o Cantareira produzia cerca 33 metros cúbicos por segundo (m3/s), hoje produz em média 25 m3/s. Redução suprida com a participação de outros sistemas e a adoção de um consumo racional por parte da população. Por isso,a empresa reforça a necessidade do consumo racional do recurso.
Antes do período de escassez que afetou boa parte do Estado, o consumo na Grande São Paulo era de 71 m3/s, e atualmente, é de 64 m3/s, que representa uma queda de 10% no consumo. Ainda de acordo com o órgão, a cultura de economia de água, iniciada nos momentos da crise hídrica, se mantem até hoje.
Atualmente, a produção do sistema Alto Tietê é, em média, 14.500 litros por segundo. Mogi das Cruzes é fundamental para o alto consumo de água registrando, na média de todos os hidrômetros da cidade, o consumo de água é de 615 litros por segundo, ou seja, 53 milhões de litros por dia.
Curso do rio
Questionada pela reportagem qual seria o destino da água que excede o limite máximo das represas, a Sabesp destacou que, quando isso acontece, a água excedente segue o curso normal, por exemplo, o leito de um rio. A empresa ainda explicou que em sistemas cujos reservatórios são interligados, é possível realizar o remanejamento do volume excedente. Isso acontece nos sistemas Alto Tietê e Guarapiranga.
*Texto supervisionado pelo editor.