A quantidade de estagiários acima dos 40 anos de idade cadastrados no Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) cresceu 80% de 2017 para 2018. De acordo com a unidade de Mogi das Cruzes, o perfil do candidato nesta faixa etária é de pessoas que já têm uma profissão, mas sem a formação superior, e que decidem fazer a graduação e tentar uma nova carreira por um sonho que não foi alcançado no passado.
Além de atender Mogi, onde fica localizada a sede do CIEE do Alto Tietê, a unidade representa as cidades de Suzano, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Biritiba Mirim e Salesópolis.
De acordo com Marcelo Muniz Paixão, que há 11 anos é supervisor da unidade do Alto Tietê, as pessoas acima de 40 anos geralmente abriram mão de estudar quando jovens para cuidar da família. Ele explicou que, como a crise já começou a deixar o país, essas pessoas estão retomando o interesse em trabalhar naquilo que elas realmente gostam. "O estágio é a melhor forma para ingressar ou retomar os trabalhos. Geralmente a pessoa não teve oportunidade de estudar o que de fato gostava quando era jovem e agora vê a oportunidade de estar na área que sempre sonhou", afirmou Paixão.
Ainda segundo o supervisor, a aceitação das empresas tem sido grande devido às vantagens que o funcionário de idade mais avançada tem a oferecer. "As empresas gostam de profissionais com mais idade. Elas dizem que essas pessoas já têm uma maturidade de escolhas o que, na teoria, dá certeza que não vão abandonar o curso e o trabalho", disse. Ele destacou também que os funcionários com 40 anos ou mais são mais centrados, focados e atentos. "Sem falar da experiência que essas pessoas podem agregar para a própria empresa. A vivência tanto no pessoal quanto no profissional é um diferencial", completou o supervisor.
Sonho realizado
Um exemplo dessa realidade é Francisca Aparecida, de 40 anos, que hoje estuda Pedagogia pelo ensino a distância (EAD) e trabalha na Escola Municipal Leopoldina Cardoso de Moraes, no bairro de Biritiba Ussu, em Mogi, com inclusão de alunos deficientes.
Francisca contou que já trabalhou em diversas áreas e sempre teve vontade de ser professora. Ela disse que se distanciou desse sonho, pois teve uma filha quando era mais jovem. "As aulas de Magistério (curso equivalente à Pedagogia hoje em dia) eram ao longo do dia e eu não tinha condição financeira e nem disponibilidade de tempo para fazer o curso, tive que abrir mão", lamentou. Ela ainda revelou que hoje a filha, que nasceu na época em que ela iria ingressar na faculdade, é quem paga a mensalidade do curso. "Além do dinheiro, ela me dá todo o apoio que eu preciso. Esse é um sonho antigo que estou conseguindo realizar graças a ela", agradeceu Francisca.
Se formar e continuar na área da Educação com crianças especiais é a próxima etapa da vida, de acordo com ela. "Essa oportunidade de trabalhar com crianças especiais me despertou uma paixão por essa área. Quero me formar e continuar fazendo isso", concluiu a estudante.
* Texto supervisionado pelo editor.