Em meio ao desenvolvimento dos centros urbanos, ainda há locais que passam por muita dificuldade quando o assunto é mobilidade. Um exemplo é a estrada conhecida como Ramal do Shida, no distrito de Biritiba Ussu, em Mogi das Cruzes. A reportagem esteve ontem no local e percorreu toda a extensão da estrada, verificando as reclamações dos moradores locais, que têm como principal reivindicação a melhoria das condições das estradas vicinais.
Há mais de 20 anos trabalhando na área, a agricultora Andreia Aparecida Biasotti, de 33 anos, e o marido, também agricultor, Julio Cesar Biasotti, 41, tiveram que tomar a atitude de fazer uma estrada dentro da propriedade em que residem, já que a Ramal do Shida apresenta péssimas condições estruturais. Além de buracos, a estrada de terra tem diversas crateras e não há galerias para a água ser escoada ou um córrego. Com as chuvas que atingiram a cidade nos últimos dias, a situação piorou. "A situação é complicada, meu marido muitas vezes tem que desatolar caminhões e carros que passam por aqui. Uma vez a prefeitura até veio jogar cascalho, mas só descarregou e meu marido teve que espalhar pela estrada. Não é porque moramos no campo que merecemos menos atenção, pagamos nossas contas corretamente, como deve fazer qualquer cidadão", contou Andreia. Os contratempos são tamanhos que o filho dela já chegou a ficar uma semana sem ir à escola por não conseguir sair do local.
Um dos principais problemas gerados aos agricultores que residem no local é a falta de opção para escoar as mercadorias. O fato de caminhões não conseguirem trafegar por lá faz com que os produtores gastem cerca de duas horas a mais no período de trabalho para deixar os produtos em pontos estratégicos da estrada. "A situação é péssima, já tive que puxar vários carros e caminhões, além de "ser obrigado" a fazer uma estrada no meu terreno para facilitar o acesso", reforçou Biasotti.
Para o produtor rural Armando Akira Iizuka, 61, que "já está cansado de cobrar", ressaltou que os moradores precisam "arrumar as estradas, já que ninguém faz". "Nós mesmos temos que fazer essas melhorias. Além de trabalharmos na roça, gastamos energia arrumando estrada. Perdemos cerca de duas horas a mais no trabalho para levar as mercadorias até os caminhões, algo que poderia ser mais simples", explicou.
Outra estrada que também apresenta uma situação como a do Ramal do Shida é a estrada do Cordeiro, denominada BBC. "Isso é um descaso enorme, os agricultores não conseguem escoar as mercadorias, não têm córregos, nem nada para facilitar. A prefeitura tem que ver esse problema, porque residem agricultores, famílias e crianças aqui. Essa estrada está esquecida", disse o líder comunitário do bairro, Ronaldo Leme. O líder também revelou que a administração municipal mudou os nomes de três estradas sem avisar aos moradores. "A primeira é a estrada Ken Saito, que fez com que vários agricultores se desligassem da associação; a segunda é a estrada do Cordeiro, hoje chamada de BBC e a do Ramal do Shida, já que o nome original foi dado à outra estrada acima dela", finalizou.