O júri popular, retomado ontem no Fórum de Braz Cubas, absolveu o ex-policial militar (PM) Fernando Cardoso Prado de Oliveira e o policial militar Vanderlei da Silva Barros, pelas mortes a tiros dos jovens Rafael Augusto Vieira Muniz e Bruno Fiuza Gorrera, assassinados em 24 de setembro de 2014, no Jardim Camila. Esses assassinatos fazem parte de uma série de homicídios que tirou a vida de 26 jovens e adolescentes entre 2013 e 2016, em Mogi das Cruzes.
O julgamento, que teve início na tarde de anteontem e foi interrompido às 20h50 e retomado hoje pela manhã, foi marcado pelas manifestações feitas pelo grupo "Mães Mogianas", que reúne, entre outras pessoas comovidas pelas mortes, as mães dos jovens que foram assassinados, que estavam esperançosos com a condenação dos réus. Sacos pretos representando os jovens mortos e cartazes pedindo justiça foram levados pelo grupo.
Com a decisão, a professora de alguns dos meninos que foram mortos, Inês Paz, afirmou que o Ministério Público entrará com recurso para que seja revista e julgada em segunda instância essa decisão favorável aos réus.
A mãe do jovem Rafael Augusto Vieira Muniz, a cuidadora Lucimara Aparecida Vieira Muniz, se decepcionou com a decisão e diz que se apoia na fé para passar por esse momento. "Eu creio na lei de Deus, creio que o Senhor vai fazer justiça, a lei do homem é falha mas a lei de Deus é justa", finalizou.
Pegou mal
A audiência também foi marcado pelo tom dramático que ficou evidente a quem esteve presente no Fórum. Com a absolvição, enquanto os advogadas de defesa e acusados comemoravam a vitória no tribunal, as mães dos jovens mortos entraram em desespero ao entenderem que, pelo menos por ora, seus filhos ainda não foram justiçados.
A professora Inês declarou que, junto aos advogados de acusação, vai entrar com uma representação contra a postura dos advogados dos réus, que comemoraram veementemente a vitória, mesmo ao lado das mães dos jovens assassinados. "Foi lamentável, não condiz (essa postura) com o que esperamos desses profissionais. Durante todo o julgamento, os defensores dos réus desqualificaram as famílias dizendo que não são pessoas de bem e não levaram em consideração que vidas foram tiradas. Foi muito desrespeitoso, simplesmente lamentável", relatou Inês.