Apesar de a contratação de cobradores ser obrigatória segundo uma lei aprovada pela Câmara de Ferraz de Vasconcelos, a empresa responsável, Radial Transportes Coletivos, alega que o pagamento da passagem em dinheiro não atinge 10% dos usuários, portanto, não traria equilíbrio econômico. No entanto, há brechas na lei que não esclarecem punição para o descumprimento da norma, conforme informações emitidas pela câmara.
A companhia esclareceu que não contratou cobradores pelo fato de a tecnologia de cartões eletrônicos já ter sido amplamente adotada, ou seja, a função de cobrança não gera o lucro necessário para manter o funcionário, uma vez que poucos passageiros ainda pagam em dinheiro. 
Já a Casa das Leis argumentou que a norma, em vigor desde 4 de fevereiro, foi criada para aumentar a segurança de passageiros e dos próprios condutores, além de contribuir com a geração de emprego. Contudo, a empresa rebate que "essa é uma função em extinção, como diversas outras profissões, por conta das novas tecnologias".
A obrigatoriedade da volta do cobrador em ônibus locais da empresa concessionária Radial foi aprovada no ano passado pelo parlamento. No entanto, na época, a prefeitura vetou o texto. Em dezembro de 2018, o plenário derrubou o veto e a norma está sancionada desde 4 de fevereiro.
Embora a lei esteja valendo, não existe um prazo para que a empresa contrate cobradores. Até o momento, não está sendo mantido nenhum diálogo entre o Legislativo e a Radial para esclarecer o assunto, uma vez que a fiscalização é da alçada da administração pública. A prefeitura foi procurada pela reportagem, mas não respondeu aos questionamentos e solicitou o contato direto com a Radial.
De acordo com a Radial, a maior parte da população utiliza cartões de passe eletrônico, como vale-transporte, cartão de estudante, idoso ou, ainda, o cartão BOM. A empresa também contou que a cidade não tem mais a função de cobrador há aproximadamente oito anos. "Seria um retrocesso tecnológico trazê-la novamente", ressaltou.
A Radial ainda explicou que a mão de obra dos funcionários que atuavam como cobradores não foi perdida. "Pelo contrário, esses profissionais receberam diversas oportunidades e treinamentos e hoje atuam em outras áreas da empresa, como setores administrativos, fiscalização, motorista, monitoramento, dentre outras", justificou a empresa por meio de nota.
A empresa finaliza contestando que a contratação de novos cobradores representaria uma elevação nos custos, um valor, segundo eles, que poderia ser investido em outras melhorias.
* Texto supervisionado pelo editor.