As mulheres presas na Cadeia Feminina de Poá não serão mais transferidas para a Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, segundo informações do delegado seccional, Jair Barbosa Ortiz, passadas ontem ao vereador Sadao Sakai (PR). Na semana passada, Ortiz havia informado à reportagem do Grupo Mogi News de Comunicação que, mesmo o local sendo uma cadeia em trânsito para mulheres e adolescentes, o espaço aparentava "um chiqueiro".
Para barrar a transferência, o vereador Antonio Lino da Silva (PSD) protocolou uma moção de apelo ao governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB) e ao secretário de Estado da Segurança Pública, general João Camilo, para que não autorizem a mudança. Sakai, que recebeu a informação do delegado, esclareceu que Ortiz "entendeu que isso traria um prejuízo para Mogi e garantiu que irá fazer uma nova dependência da Cadeia de Poá para as presas ficarem lá".
No documento, o parlamentar lembrou que a Cadeia Pública de Mogi é provisória, no entanto, acabou se tornando definitiva. Além disso, ele também ressaltou sobre a vinda do Centro de Detenção Provisória (CDP) para o município que, na época, comportaria 844 pessoas, mas atualmente abriga mais que o dobro da capacidade.
"A Cadeia Pública de Mogi é de construção antiga e não possui condições, mesmo com alterações internas, de receber, como afirma o próprio delegado seccional, homens, adolescentes, mulheres e até menores que estarão à disposição do Poder Judiciário", explicou Lino na moção.
Durante a sessão, os vereadores comentaram sobre o caso. "Vimos na Imprensa que a cadeia localizada na Vila Oliveira poderia receber presas de Poá, porque o espaço lá precisa passar por uma reforma. Ao saber disso, lembrei da luta que tivemos para desativar essa cadeia, de quantas rebeliões aconteceram causando tumulto na cidade", lembrou José Antonio Cuco Pereira (PSDB).
O autor da moção, Silva, informou que ficou contente com a atitude do delegado seccional, no entanto, revelou que recebeu ligações de vereadores de Poá para que haja a transferência. "Fico feliz em saber da atitude do delegado, mas quatro vereadores de Poá me ligaram para as presas virem para Mogi. O delegado fez um acordo com a gente de não alterar o delegado do 4º Distrito Policial de Jundiapeba, mas ele descumpriu. A moção não atrapalha em nada, nossa parte estamos fazendo e esperamos que ele faça a parte dele", afirmou.
O vereador Mauro Araújo (MDB) também criticou a atitude do seccional. "Recebi um telefonema da ex-vereadora de Poá, Jeruza Reis, sobre o caso, fui pego de surpresa. O que o governo de São Paulo faz ele não termina, pois a cadeia de Poá já foi um presídio e agora é uma casa transitória". A reportagem questionou o delegado seccional sobre a situação, mas não teve retorno até o fechamento da edição.